Quinta-feira, 07 de maio de 2026

Brasil tem a maior carga tributária do mundo sobre veículos

A carga tributária sobre veículos zero-quilômetro no Brasil é a maior do mundo, e os números confirmam com folga. Dependendo da motorização e da origem do carro, os impostos respondem por 30,6% a 48,6% do preço de venda de um veículo nacional. Na Itália, o maior tributador europeu da lista, o imposto sobre a compra de um carro é de 22%. Na Alemanha, 19%. No Japão, cerca de 13%. Nos EUA, em média, 7%.

O Brasil não tem concorrência nesse ranking. Infográficos com esse comparativo viralizaram nas redes sociais e, apesar do formato simplificado, refletem com precisão a realidade do mercado: os dados foram verificados junto às tabelas oficiais da União Europeia e ao PwC Global Automotive Tax Guide. Milad Kalume Neto, da Klume Consultoria, um dos mais respeitados consultores do mercado automotivo brasileiro, corrobora a informação e colocou em números para o Autotempo o que essa distância significa para o consumidor.

“Num carro de R$ 100 mil, você tem 40% para a cadeia de fornecedores, 5% para as montadoras, 5% para os concessionários e 50% para o governo. Esse montante é um número que representa bem como está o mercado hoje.”

Dito de outra forma, em cada carro zero vendido no Brasil, o governo leva mais do que montadora, concessionária e toda a cadeia de fornecedores juntos.

O empresário Sérgio Habib, presidente da JAC Motors Brasil, resume a lógica estrutural por trás disso. “O carro no Brasil é um vetor de imposto e uma fonte de arrecadação para o governo”. Essa relação, que o setor debate há décadas, é exatamente o que a reforma tributária promete reformar, mas que, na prática, pode piorar antes de melhorar. A checagem dos números internacionais apresentados nos infográficos virais revela que eles correspondem, com boa precisão, às alíquotas de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) praticadas nesses países sobre a compra de bens, incluindo automóveis.

No caso do Japão, há uma camada extra além do IVA de 10%: o país opera um sistema de múltiplas taxas, imposto de compra (cerca de 3% do valor), imposto de registro baseado no peso e no motor, e taxa rodoviária anual, o que leva o total estimado a algo próximo de 13% sobre o preço de venda, de acordo com levantamentos setoriais. Nos EUA, não há IVA federal; a tributação se resume ao “sales tax” estadual, que vai de zero a pouco mais de 10%, com média nacional em torno de 7%. Atualmente, a tributação de um veículo no Brasil parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de competência federal, cuja alíquota varia conforme a cilindrada e o tipo de combustível.

Sobre o preço já com IPI embutido incidem o ICMS (que oscila entre estados, mas costuma ser cobrado por dentro da nota) e as contribuições federais PIS (1,65%) e Cofins (7,6%). O problema estrutural é que cada imposto é calculado sobre um preço que já carrega o imposto anterior, o chamado “imposto sobre imposto”, efeito em cascata que infla a carga real bem acima da soma simples das alíquotas nominais.

Desde julho de 2025, o governo federal zerou o IPI para veículos compactos que atendam a quatro critérios cumulativos no chamado “Programa Carro Sustentável”: emitir menos de 83g de CO₂/km, conter mais de 80% de materiais recicláveis, ser fabricado no Brasil, com soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem realizadas no país, e se enquadrar como carro de entrada da marca.

O benefício, instituído pelo Decreto nº 12.549/2025 dentro do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), está previsto para vigorar até 31 de dezembro de 2026. Modelos como Volkswagen Polo Track, Renault Kwid, Fiat Mobi e Hyundai HB20 figuram entre os beneficiados. (Com informações do jornal O Tempo)

 

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