Sábado, 05 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de setembro de 2026
O Brasil realiza um teste para qualificar uma plataforma que funciona como um laboratório espacial e pode alcançar mais de 100 quilômetros de altitude antes de retornar à Terra de paraquedas. A operação ocorre no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, e envolve a Força Aérea Brasileira (FAB).
A Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R) é transportada pelo foguete brasileiro VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O equipamento foi projetado para levar experimentos científicos a altitudes superiores a 100 quilômetros, região considerada o início do espaço pela convenção mais utilizada.
Durante o voo, a plataforma permanece em condições de microgravidade por aproximadamente seis a oito minutos. Nesse período, experimentos podem ser realizados para estudar fenômenos que não podem ser observados da mesma maneira na superfície terrestre.
A microgravidade permite pesquisas em áreas como desenvolvimento de materiais, processos de combustão, medicamentos e agricultura espacial. Entre os experimentos transportados estão microrganismos liofilizados e biodosímetros de radiação, utilizados para avaliar os efeitos do ambiente espacial sobre diferentes materiais.
Um dos principais objetivos da operação é testar o sistema responsável pelo retorno da plataforma. Depois de atingir a altitude prevista, a PSM-R retorna à Terra presa a um paraquedas, permitindo a recuperação dos experimentos para posterior análise. Atualmente, uma parte relevante das pesquisas brasileiras realizadas em voos desse tipo depende da transmissão de dados por telemetria.
Segundo a FAB, o foco da operação é verificar o funcionamento do sistema de recuperação em condições reais de voo. O teste integra a Operação Potiguar 2, realizada no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno.
Caso o sistema seja qualificado, o país poderá utilizar uma plataforma nacional para realizar lançamentos suborbitais com maior frequência. A intenção é permitir que universidades e empresas brasileiras enviem experimentos ao ambiente de microgravidade e recuperem posteriormente os materiais utilizados nas pesquisas.
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno foi inaugurado em 1965 e é utilizado para lançamentos de foguetes de sondagem e atividades de rastreamento. A estrutura já participou de centenas de lançamentos e integra o programa espacial brasileiro.
A Agência Espacial Brasileira (AEB) considera o desenvolvimento de tecnologias nacionais para lançamentos, foguetes, satélites e infraestrutura de solo parte dos esforços para ampliar a autonomia do país no setor espacial.