Terça-feira, 14 de abril de 2026

Buffalo Day debate eficiência alimentar na pecuária

O 1º Buffalo Day, realizado em Botucatu (SP), marcou um avanço na integração entre pesquisa e produção ao colocar a eficiência alimentar no centro das discussões sobre o futuro da bubalinocultura brasileira. O evento reuniu produtores, pesquisadores, empresas e instituições no Centro de Pesquisas Tropicais em Bubalinos (CPTB), da Unesp, e evidenciou a transição da atividade para um modelo mais orientado por dados, métricas econômicas e melhoramento genético aplicado.

Mais do que um encontro técnico, o evento sinalizou uma mudança de paradigma na cadeia produtiva, que passa a incorporar indicadores de eficiência como eixo central de competitividade. Nesse contexto, a futura implantação da prova de eficiência alimentar em bubalinos foi apontada como um dos principais marcos de evolução do setor.

A eficiência alimentar mede a capacidade do animal de converter alimento em produção com menor consumo relativo de insumos, reduzindo desperdícios e impactando diretamente o custo de produção — variável decisiva em sistemas pecuários cada vez mais pressionados por margens e exigências de sustentabilidade.

Na bubalinocultura, a adoção desse tipo de métrica representa um salto estratégico, especialmente por se tratar de uma cadeia ainda em consolidação tecnológica, mas com potencial crescente de valorização em leite, carne e derivados. A incorporação de critérios mais precisos tende a acelerar o ganho genético e aumentar a previsibilidade dos sistemas produtivos.

A pesquisadora do CPTB, Caroline Francisco, destacou que a primeira prova experimental deve ocorrer em maio, abrindo caminho para a inclusão definitiva da característica nos programas de melhoramento genético. Segundo ela, a proposta é ampliar o conjunto de dados utilizados na seleção de animais, integrando eficiência alimentar às características já avaliadas no rebanho.

Na prática, isso representa uma mudança na lógica de seleção: de um modelo baseado principalmente em desempenho produtivo para outro que incorpora também variáveis econômicas e de conversão alimentar. O objetivo é tornar a produção mais eficiente, previsível e alinhada às demandas do mercado.

O coordenador do CPTB, André Jorge, destacou que o Buffalo Day foi estruturado para aproximar ciência e campo, reduzindo o distanciamento histórico entre pesquisa acadêmica e aplicação prática. A integração entre produtores, universidades e empresas é vista como essencial para acelerar a adoção de tecnologias em cadeias emergentes.

O evento foi promovido pela Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf), em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), além de instituições como Apta, Instituto de Zootecnia e Secretaria de Agricultura de São Paulo, reforçando o caráter institucional da iniciativa.

Do lado produtivo, o presidente da ABCB, Simon Riess, destacou o interesse crescente dos criadores por ferramentas que ajudem a reduzir custos e melhorar a eficiência dos sistemas. O movimento reflete uma mudança no perfil do produtor, que passa a adotar decisões mais baseadas em dados e indicadores econômicos.

Esse avanço acompanha uma tendência global da pecuária de precisão, em que eficiência alimentar se torna um dos principais pilares de competitividade ao lado de genética e manejo. Em cadeias como a bubalinocultura, esse processo tende a ter impacto ainda mais acelerado pela possibilidade de reorganização tecnológica recente.

No Brasil, a atividade ainda ocupa um espaço menor dentro da pecuária, mas vem ganhando relevância pela diversificação de mercados e valorização de produtos como leite, derivados e cortes premium. Nesse cenário, a eficiência produtiva se torna elemento central para ampliar competitividade e escala.

Ao reunir ciência, mercado e produção, o Buffalo Day reforça uma inflexão importante: a passagem de uma pecuária baseada em práticas tradicionais para um modelo orientado por dados, em que decisões de seleção e manejo passam a ser guiadas por informação técnica estruturada.

Mais do que discutir tecnologia, o evento evidenciou que o futuro da bubalinocultura dependerá da capacidade de transformar conhecimento científico em aplicação prática no campo — etapa decisiva para consolidar uma cadeia mais eficiente, competitiva e integrada ao agronegócio moderno. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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