Quarta-feira, 09 de setembro de 2026

Butiá, PANCs e fermentação: MEA promove programação que valoriza saberes alimentares do Rio Grande do Sul

O que uma fruta nativa, uma receita de família, uma técnica de fermentação e uma planta alimentícia não convencional têm em comum? Todos carregam conhecimentos que ultrapassam o prato. São ingredientes, modos de fazer, histórias e relações com o território que fazem parte da cultura alimentar e ajudam a contar a história de diferentes comunidades.

É a partir dessa perspectiva que o Memorial da Evolução Agrícola (MEA), em Horizontina, coloca a alimentação no centro de uma nova programação da Cozinha Experimental. A partir de setembro, cinco projetos selecionados pelo Edital MEA nº 02/2026 – Sabores da Terra serão realizados no espaço, de forma gratuita.

Entre os destaques está a oficina “Guardiões dos Sabores: butiá e suas histórias”, que acontece no dia 11 de setembro e propõe uma experiência para crianças de 6 a 8 anos em torno de um dos frutos associados à paisagem e à cultura do Rio Grande do Sul. A atividade será conduzida pelos chefs Flavia Mu e Rodrigo Xavier, do Capincho Restaurante e da Cantina BananaMaçã, de Porto Alegre.

Quando preservar uma fruta também é preservar uma história

O butiá faz parte da memória afetiva de muitos gaúchos e aparece em doces, bebidas e diferentes preparos culinários. Ao mesmo tempo, os butiazais enfrentam ameaças relacionadas à perda de ambientes naturais, o que amplia a importância de iniciativas que aproximem as novas gerações desse patrimônio natural e cultural.

Na oficina do MEA, o butiá será apresentado às crianças por meio de histórias, exploração sensorial e do preparo coletivo de um bolo com cobertura. A proposta é falar sobre as frutas nativas, o bioma Pampa, a necessidade de conservação e os animais que fazem parte desse ecossistema.

Para Flavia Mu, o contato com os ingredientes locais durante a infância pode contribuir para a construção de vínculos com a cultura e a alimentação do território. A experiência da chef com a educação alimentar também vem do trabalho desenvolvido pela Cantina BananaMaçã com refeições escolares. “O edital aparece num momento interessante do nosso trabalho, tanto no Capincho, como na BananaMaçã, em que nos dedicamos à promoção dos ingredientes e da cozinha autêntica do Sul do Brasil”, explica.

A expectativa é que a oficina seja um momento de troca e de criação de memórias. “Espero que esse encontro possa contribuir para escolhas de consumo mais conscientes, entendendo que a gastronomia, ou o jeito que comemos, vai além do prato e é também um jeito de preservar o meio ambiente. Queremos deixar essa sementinha nas crianças sobre a importância da conservação das espécies”, afirma.

Um edital para preservar saberes que chegam à mesa

Lançado pelo MEA em 2026, o Edital Sabores da Terra selecionou cinco projetos para a realização de oficinas práticas na Cozinha Experimental. Com investimento total de R$ 15 mil, a iniciativa busca valorizar conhecimentos relacionados à alimentação, à agricultura familiar, à biodiversidade e à cultura alimentar.

Para Carla Borba, coordenadora do Educativo, Cultural e Socioambiental do MEA, a iniciativa busca valorizar conhecimentos relacionados à alimentação e à produção local. “Os alimentos carregam histórias, memórias e conhecimentos construídos ao longo de gerações. Queremos fortalecer esses saberes e estimular a produção local”, afirma Carla.

A programação reúne propostas diferentes, mas conectadas pela valorização dos conhecimentos que estão presentes no cotidiano e pela busca de relações mais conscientes com a origem dos alimentos.

Programação do Edital Sabores da Terra

4 de setembro: Preparo de vísceras e miúdos, com Francesca Werner Ferreira
11 de setembro: Guardiões dos Sabores: butiá e suas histórias, com os chefs Flavia Mu e Rodrigo Xavier
16 de outubro: Bebida Viva: Fermentação Natural com frutas da Estação, com Pamela Aline Lubschinski
30 de outubro: Da Horta à Mesa: preparando receitas com PANCs, com Isabel Margarida de Morais
26 de novembro: Saberes da Terra: do campo à sua casa, com Débora Craveiro Vieira

As diferentes propostas mostram como o patrimônio alimentar pode estar presente tanto em ingredientes quanto em técnicas, receitas e formas de produção. Na oficina de Isabel Margarida de Morais, agricultora do Sítio Margarida, as PANCs serão utilizadas no preparo de receitas como snacks de ora-pro-nóbis e bolinho PANC.

A iniciativa parte da experiência do Sítio Margarida, propriedade de agricultura familiar que desenvolve vivências com famílias, escolas e grupos, unindo produção orgânica, educação ambiental e alimentação.

“Vimos no edital Sabores da Terra a oportunidade de levar essa experiência para além das porteiras do Sítio, valorizando os saberes da agricultura familiar e mostrando, na prática, todo o caminho que existe da horta à mesa”, conta Isabel.

A preservação de técnicas tradicionais também está no projeto de Pamela Aline Lubschinski, nutricionista e agricultora, que propõe uma experiência com fermentação natural e frutas da estação. A oficina aborda a produção de um refrigerante natural, técnicas de conservação e transformação dos alimentos e o aproveitamento integral dos ingredientes.

“Eu já trabalhava com fermentação e probióticos. O que me motivou a inscrever o projeto foi passar o conhecimento sobre fermentação. Usar a natureza a nosso favor substituindo produtos industrializados por naturais”, explica Pamela.

As oficinas mostram que preservar saberes alimentares também significa valorizar quem produz, reconhecer a biodiversidade, manter técnicas tradicionais em circulação e fortalecer conhecimentos transmitidos entre gerações.

SOBRE O MEA
Todas as atividades do MEA são gratuitas e de classificação livre. Estacionamento exclusivo para visitantes. Não fecha ao meio-dia. Prédio do Memorial: de quarta a domingo e feriados, das 9h às 17h (entrada na exposição até às 16h30). Eletroposto e área externa do MEA: de terça a domingo e feriados, das 7h às 22h.

O MEA – Memorial da Evolução Agrícola é uma iniciativa do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), e tem como patrocinador master a John Deere Brasil.

Ocupa uma área de 64 mil m² em Horizontina, no Rio Grande do Sul, proporcionando atividades de arte, cultura, educação, meio ambiente, esporte e lazer. De forma tecnológica e imersiva, o MEA conta a história da agricultura brasileira com o objetivo de provocar, trocar e produzir conhecimento em prol da sociedade e da diversidade cultural e ambiental. Todas as suas atividades culturais, educativas e de bem-estar são oferecidas gratuitamente e com classificação livre. Conta com amplo estacionamento gratuito para os visitantes.

Além do espaço da exposição de longa duração, das oficinas culturais e das salas multiuso, o complexo tem quadras esportivas, academia a céu aberto, parquinhos para crianças de até 12 anos, amplo espaço para práticas ao ar livre, John Deere Store e a unidade Senai Horizontina (RS).

Contato para a imprensa:
Emilene Lopes | (51) 99268.3382 | emilene.lopes@engajecomunicacao.com

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