Domingo, 13 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de setembro de 2026
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição usará a quebra do sigilo das investigações do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar desgastar o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, com conteúdo para as inserções veiculadas em rádio e TV.
Os documentos que vieram a público com a quebra de sigilo revelaram que o ministro do STF André Mendonça pediu em 22 de julho a abertura de procedimento sigiloso “para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro”, no contexto da produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador. Flávio nega qualquer irregularidade.
Integrantes da campanha de Lula se apressam para preparar inserções com o tema e enviá-las o quanto antes para divulgação ao longo da programação das emissoras de TV. Os programas do horário eleitoral são exibidos na TV de segunda-feira a sábado, às 13 horas e às 20 horas; e às 7 horas e às 12 horas no rádio. Às segundas, quartas e sextas, o conteúdo dos programas é voltado para candidatos a deputado estadual ou distrital, senador e governador. Às terças, quintas e sábados é a vez os candidatos a presidente e deputado federal.
Lula pediu a quebra do sigilo em um vídeo publicado em redes sociais na quarta-feira (9). “O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, afirmou o presidente.
Transparência
O advogado-geral da União, Jorge Messias, elogiou a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de retirar do sigilo sobre os processos do caso Master. “A publicidade é a regra da República. A transparência protege as instituições, assegura igualdade de tratamento aos envolvidos, clareia as escolhas dos cidadãos e permite que a sociedade conheça os fatos sem recortes, versões ou seletividades”, escreveu Messias em publicação na rede social X.
Na mesma mensagem, o advogado-geral da União – que foi indicado por Lula para compor o STF, mas teve sua candidatura reprovada pelo Senado – destacou a posição do presidente em defesa da transparência nas investigações. “Deve ser valorizada a posição manifestada pelo presidente Lula ao defender mais transparência e o amplo conhecimento das investigações pela sociedade brasileira”, afirmou.
Ao concluir a publicação, Messias defendeu que a transparência deve prevalecer independentemente dos envolvidos no caso. “Em questões de Estado, a verdade não deve escolher nomes, lados ou conveniências. Instituições republicanas se fortalecem às claras.”
Emenda
O líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) instituindo um código de ética para ministros do STF e alterando as regras para escolha de magistrados para a Corte.
Randolfe começou a coletar assinaturas para a PEC no Senado anteontem, em meio à crise no STF provocada pelo caso Master. Ontem, porém, o senador retirou a proposta e deverá apresentar um novo texto.
São necessárias 27 assinaturas para a PEC começar a ser discutida. Em caso de votação, que ocorre em dois turnos, pelo menos 49 dos 81 senadores precisam ser favoráveis ao texto. (As informações são de O Estado de S. Paulo)