Sábado, 24 de outubro de 2026

Campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula entregam novos documentos e seguem sem abrir os seus sigilos

Após o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmar que os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) podem divulgar dados de seus sigilos bancário e telefônico sem autorização judicial, as campanhas apresentaram novos documentos à Corte, mas não tornaram as informações públicas.

A equipe jurídica de Lula pediu ao TSE que requisite os dados diretamente aos órgãos competentes e os divulgue simultaneamente em um único site, para garantir a integridade das informações e evitar a edição de valores. Segundo os petistas, a proposta foi apresentada em conjunto com a campanha de Flávio.

Já os advogados do senador concordaram com a decisão de Mendonça, afirmando que cada candidato é livre para abrir seus próprios sigilos, independentemente de ordem judicial. No entanto, defenderam que Lula divulgue primeiro os gastos do cartão corporativo da Presidência.

As duas campanhas também entregaram procurações autorizando a publicação dos dados. Os documentos apresentados por aliados de Lula permitem a divulgação dos sigilos em cumprimento a um compromisso assumido durante a campanha. Já os assinados por integrantes da equipe de Flávio condicionam a abertura à decisão judicial do TSE, possibilidade descartada por Mendonça.

Na decisão, o ministro afirmou que a divulgação depende exclusivamente da vontade dos titulares e que não cabe à Justiça Eleitoral determinar quais informações devem ser apresentadas à população.

Nos bastidores, as campanhas atribuem uma à outra a responsabilidade pelo impasse, sem perspectiva de que os dados sejam divulgados antes do segundo turno.

Na equipe de Flávio, a avaliação é que as exigências feitas pelos dois lados esvaziaram o desafio lançado por Lula e impediram que o senador assumisse sozinho o desgaste pela falta de transparência. Aliados do parlamentar consideram que a iniciativa petista tinha caráter político e buscava associá-lo à imagem de alguém envolvido em irregularidades.

Integrantes da campanha afirmam que a documentação solicitada está organizada, mas dizem que o grupo apenas reagiu aos movimentos do PT. Com a votação marcada para domingo (25), a equipe considera que não há tempo para novos desdobramentos e pretende encerrar a discussão.

A campanha de Lula, por sua vez, sustenta que Flávio não cumpriu, dentro do prazo estipulado, as condições para a abertura dos sigilos. Os petistas afirmam ter apresentado documentos relativos a cartões corporativos, voos da Força Aérea Brasileira (FAB), dados do Instituto Lula e agendas do presidente e da primeira-dama.

Para os aliados do presidente, o impasse demonstra que o senador não estava disposto a cumprir a proposta de transparência e tentou transferir ao adversário a responsabilidade pela falta de divulgação das informações.

Apesar das cobranças, o PT mantém a defesa de que os dados sejam publicados simultaneamente, com garantias de integridade e igualdade de condições para os candidatos. A posição contrasta com o entendimento de Mendonça de que a divulgação voluntária dispensa autorização judicial.

Assim, enquanto a campanha de Lula insiste em uma atuação do TSE para viabilizar a publicação conjunta, o grupo de Flávio considera o assunto encerrado. A disputa permanece concentrada na atribuição de responsabilidades pelo impasse, sem indicação de que os sigilos serão efetivamente abertos antes da votação. (Com informações do jornal O Globo)

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