Segunda-feira, 02 de novembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 2 de novembro de 2026
A consulta de Carol Castro com o reumatologista demorou cerca de duas horas. Enquanto o médico analisava os resultados dos testes prévios no computador, ele questionava a atriz sobre doenças na família, rotina e hábitos alimentares até passar para o exame físico: aperta aqui, aperta ali, dói aqui, dói ali e, enfim, o diagnóstico: fibromialgia.
“Foi um certo alívio porque me deu um nome. Eu não tô doida”, conta a artista em entrevista à Quem. “Foi uma saga, pois eu já tinha feito milhões de exames de sangue, eu estava desde o ano anterior investigando todos os marcadores possíveis de doenças”, explica.
Segundo diretrizes atualizadas da Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia é a segunda doença reumatológica mais comum da população brasileira, afetando entre 2,5 e 3% da população, atrás apenas da osteoartrite. Ela se caracteriza pela dor crônica generalizada, distúrbios do sono, alterações cognitivas e impacto funcional significativo, com elevado custo social e econômico.
Carol sabia (e sabe!) bem o que é sentir dor. “Eu sinto dor 24 horas por dia. Tem dias que é mais, tem dias que é menos”. A descoberta da doença veio em uma fase da vida profissional e emocionalmente intensa para a artista. Em 2025, ela gravava as cenas finais de Garota do Momento, novela das seis da TV Globo, em que interpretou Clarice, mãe biológica da protagonista vivida por Duda Santos, que atravessou por si só uma jornada dramática.
“Era uma personagem muito desafiadora, que me exigia bastante fisicamente, psicologicamente, e que vivia tudo, né? Ela já começava sendo atropelada, com a filha roubada, aí perde a memória, começa a ser dopada, vira dona de escola de etiqueta, dondoca, tem problema no coração, coloca outra filha no lugar. Ela foi internada com camisa de força em clínica psiquiátrica, teve crise de abstinência, convulsão e chora, chora e chora. Então, realmente eu tinha muito desgaste”, recorda um pouco da jornada exaustiva de sua heroína na época.
Enquanto as dores da atriz iam e vinham no mundo real e sua personagem conquistava o telespectador, Carol Castro ia encontrando desculpas para os desconfortos físicos. “Eu sentia fortes dores de cabeça e falava que era sinusite ou que estava trabalhando muito. Eu também sentia dores no joelho, mas a personagem usava salto alto, então devia ser por isso. Além do mais, eu já estava vivendo um momento pessoal difícil”.
Meses antes da novela começar a ser gravada, a atriz se despedia de seu pai, Luca de Castro, aos 70 anos, que a inspirou a seguir carreira artística ainda menina. De Castro foi um dos fundadores da Cia. Teatro do Nada, professor de interpretação da faculdade de Artes Cênicas na UniverCidade, tendo atuado em obras como Direito de Amar (1987), A Próxima Vítima (1995), O Profeta (2006), Império (2014) e Éramos Seis (2019).