Segunda-feira, 08 de junho de 2026

CBF aponta “boa evolução” em lesão de Neymar; entenda o diagnóstico

Convocado para a Copa do Mundo, o atacante Neymar passou por novos exames nesta segunda-feira (8) como parte do tratamento de uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha. Em nota, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que o jogador apresenta “boa evolução”, mas não divulgou previsão para seu retorno aos gramados.

A lesão de grau 2 é considerada de gravidade moderada e ocorre quando há ruptura parcial das fibras musculares, provocando dor, perda de força e limitação dos movimentos. Segundo especialistas, o problema exige cuidados para evitar recaídas e garantir uma recuperação completa.

Os músculos são formados por milhares de fibras que trabalham em conjunto para gerar força e movimento. Quando a carga aplicada supera a capacidade de resistência do tecido muscular, parte dessas fibras pode se romper, causando uma lesão.

De acordo com o ortopedista Eduardo Ramalho, especialista em trauma do esporte, a lesão de Neymar vai além de uma simples sobrecarga muscular.

“Nesses casos, significa que houve uma ruptura parcial das fibras do músculo. Não é apenas uma sobrecarga ou inflamação leve. Existe realmente um rompimento de parte da musculatura”, explica.

O médico ortopedista Mário Lenza, do Hospital Israelita Albert Einstein, afirma que esse tipo de problema costuma ocorrer durante esforços intensos, como arrancadas, mudanças bruscas de direção e acelerações. No esporte de alto rendimento, o risco aumenta devido à sequência de jogos, ao desgaste físico acumulado e ao curto período de recuperação entre as partidas.

As lesões musculares são classificadas em três níveis. No grau 1, ocorre apenas um pequeno estiramento, geralmente sem prejuízo significativo dos movimentos. Já o grau 2, caso de Neymar, envolve uma ruptura parcial das fibras musculares e provoca perda parcial de força e função. No grau 3, considerado o mais grave, há rompimento completo do músculo ou separação entre músculo e tendão, resultando em perda quase total da função muscular.

O tratamento das lesões de grau 2 começa com medidas para controlar dor, inflamação e inchaço. Em seguida, inicia-se uma fase progressiva de recuperação, que inclui fisioterapia, fortalecimento muscular e recondicionamento físico.

Segundo Ramalho, as lesões na panturrilha exigem atenção especial devido ao elevado risco de reincidência.

“Na panturrilha, existe um cuidado muito grande porque é uma região com alto índice de recidiva. O jogador pode até melhorar da dor relativamente rápido, mas o músculo demora mais tempo para recuperar a capacidade de suportar cargas explosivas”, afirma.

O tempo de recuperação varia de acordo com a extensão da lesão e as características de cada atleta. Em geral, o retorno às atividades esportivas ocorre entre quatro e oito semanas.

Os especialistas alertam que a volta antecipada aos gramados pode aumentar significativamente o risco de uma nova lesão.

“O maior risco do retorno precoce é a recidiva. Quando o músculo ainda não recuperou totalmente sua resistência, ele fica muito vulnerável a uma nova ruptura, muitas vezes mais grave do que a primeira”, ressalta Ramalho.

A comissão técnica da Seleção Brasileira acompanha a evolução do atacante e aguarda os próximos exames para avaliar sua condição física antes do início da Copa do Mundo.

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