Segunda-feira, 22 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de junho de 2026
O ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, anunciou nesta sexta-feira, na rede X, que cancelou sua visita aos Estados Unidos, prevista para os dias 21 e 22 de junho, após as “declarações graves e ofensivas” do presidente americano, Donald Trump, contra a primeira-ministra Giorgia Meloni.
Em uma entrevista por telefone concedida à emissora de televisão italiana La7, Trump afirmou que Meloni havia “suplicado” para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7 na França, segundo a transcrição da conversa publicada pela emissora, que não divulgou a gravação de áudio original.
Em resposta a essa publicação, Giorgia Meloni divulgou nesta sexta-feira, no X, um vídeo no qual se declarou “consternada” com as declarações “totalmente inventadas” de Trump.
“Não entendo por que o presidente dos EUA se comporta assim com seus próprios aliados; não é, aliás, a primeira vez. Só posso lamentar que ele não demonstre a mesma determinação em relação aos inimigos do Ocidente, aos inimigos dos EUA, a dirigentes com os quais, ao contrário, mostra-se muito mais conciliador”, declarou.
Outros integrantes do governo italiano também adotaram um tom crítico a Washington. Giovanbattista Fazzolari, subsecretário da Presidência do Conselho de Ministros e um dos aliados mais próximos de Meloni, acusou Trump de prejudicar as relações históricas entre os EUA e a Europa.
“Com seus ataques inadequados, ele conseguiu um feito nada simples: tornar os EUA impopulares em toda a Europa, prejudicando não apenas a Europa, mas sobretudo os próprios EUA”, escreveu.
Tensão
O episódio marca uma mudança significativa na relação entre líderes que, durante anos, estiveram entre os principais representantes da direita no Ocidente. Meloni foi uma das apoiadoras mais vocais de Trump na Europa e a única líder europeia a participar de sua posse presidencial, em 2025.
Nos últimos meses, porém, a relação vinha apresentando sinais de desgaste. Em abril, Trump criticou Meloni por se recusar a envolver a Itália na guerra contra o Irã, afirmando ter ficado decepcionado com o que chamou de falta de coragem da primeira-ministra.
Já a italiana também condenou, mais recentemente, os ataques verbais do presidente americano ao papa Leão 14, após o sumo pontífice criticar o conflito com o Irã.
Meloni, eleita em outubro de 2022 à frente de um governo de coalizão ultraconservador, vinha sendo até então uma das aliadas mais próximas de Trump no Velho Continente, esforçando-se frequentemente para desempenhar um papel de mediadora entre as posições divergentes dos EUA e da Europa. (As informações são da Folha de S. Paulo e O Globo)