Domingo, 28 de junho de 2026

Chefe de gabinete do presidente da Argentina Javier Milei renuncia após acusação de enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio

O chefe de Gabinete do governo de Javier Milei, Manuel Adorni, decidiu neste sábado (27) renunciar ao cargo após meses de desgaste político provocado por investigações judiciais e denúncias sobre seu patrimônio. A saída ocorre em meio a pressões da oposição, de aliados no Congresso e de setores do próprio governo argentino.

Adorni era um dos nomes mais próximos de Milei e havia acumulado grande visibilidade desde o início do governo, primeiro como porta-voz da presidência e depois como chefe de Gabinete. Ele deixou o cargo após quatro meses de escândalo relacionado a suspeitas de enriquecimento ilícito, viagens, imóveis e valores não declarados.

Em uma carta publicada na rede social X, Adorni afirmou que decidiu encerrar sua passagem pelo governo para proteger a si mesmo e sua família. Ele disse ter sido alvo de “ataques da mídia” e afirmou que foi tratado como criminoso e corrupto “sem um único fato de corrupção” em seu histórico.

O agora ex-chefe de Gabinete nega as irregularidades. No comunicado, ele afirmou sair “tranquilo e sereno” e disse estar com a consciência tranquila. A saída de Adorni ocorre enquanto a Justiça argentina ainda apura suspeitas envolvendo seu patrimônio.

O caso que expôs Adorni ganhou força em março, quando foi revelado que sua esposa, Bettina Angeletti, integrou a comitiva oficial que acompanhou Milei em uma viagem aos Estados Unidos. Segundo as denúncias, a irregularidade estaria no fato de Angeletti não ocupar cargo público nem ter função formal na missão oficial, o que levantou questionamentos sobre o uso de recursos do Estado para custear sua participação na viagem.

Parlamentares da oposição apontaram possível violação de normas que regulam viagens oficiais, já que despesas com passagens, hospedagem e logística teriam sido arcadas com dinheiro público sem justificativa institucional clara. Embora esse episódio não tenha resultado em acusação penal, ele abriu caminho para novas revelações que passaram a colocar sob análise os gastos e bens do então chefe de Gabinete.

Adorni passou a ser investigado posteriormente por suposto enriquecimento ilícito e tráfico de influência. As suspeitas incluem o uso frequente de aviões privados para deslocamentos nacionais e internacionais, muitas vezes sem justificativa clara vinculada a compromissos oficiais, além de estadias em hotéis de alto padrão e resorts de luxo, cujos custos não teriam sido devidamente declarados.

Também passaram a ser analisadas operações imobiliárias realizadas nos últimos anos, incluindo a aquisição de imóveis em áreas valorizadas da Argentina e possíveis transações feitas por meio de intermediários ou empresas vinculadas a seu círculo próximo. Segundo as denúncias, esses bens e movimentações financeiras não seriam compatíveis com sua renda oficial declarada como funcionário público. Investigadores também apuram se houve recebimento de benefícios indiretos nas operações, como hospedagens e viagens custeadas por terceiros, o que poderia configurar vantagens indevidas relacionadas ao exercício de sua função pública.

O ponto de maior desgaste para Adorni ocorreu nos últimos dias, quando ele admitiu ter omitido cerca de US$ 500 mil em suas declarações patrimoniais. Ele afirmou que os valores correspondiam a economias mantidas fora do registro junto com sua esposa e que teriam origem em trabalho no setor privado e em investimentos em criptomoedas.

Segundo o jornal argentino Clarín, a permanência de Adorni no cargo passou a travar a agenda do governo no Congresso. A oposição tentava avançar com pedidos de interpelação e moção de censura tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, enquanto aliados de Milei demonstravam crescente desconforto com a crise.

O Clarín informou que parlamentares de partidos como o PRO, da União Cívica Radical e de blocos provinciais passaram a pressionar o governo para que Adorni deixasse o cargo. Nos bastidores, a avaliação era de que, se ele não renunciasse, poderia ser convocado pelo Congresso, ter de prestar esclarecimentos públicos e enfrentar uma possível censura parlamentar, o que ampliaria ainda mais a crise política do governo.

Ainda segundo o jornal argentino, dirigentes aliados advertiram que a permanência de Adorni no cargo prejudicava a relação da Casa Rosada com o Congresso e dificultava o avanço de projetos de interesse do Executivo. Com informações do portal Gazeta do Povo.

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