Sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Choro, ligações e corrida para avisar polícia: como foram os momentos no hospital após equipe descobrir estupro em cesariana

A prisão do anestesista Giovanni Quintella Bezerra só aconteceu depois que uma equipe de enfermeiras desconfiou do comportamento do médico durante os dois primeiros partos em que esteve presente e decidiu filmar o terceiro. Bezerra foi flagrado pela equipe do plantão de enfermagem, que se organizou para descobrir exatamente o que estava acontecendo e produzir provas.

Os depoimentos à Polícia estabeleceram uma linha de tempo do caso. Só no dia em que foi flagrado estuprando uma paciente durante o parto, ele participou de três cesarianas.

Em um deles, uma mulher que passou pela primeira cirurgia de cesárea com o anestesista naquele dia conta que seu roupão caiu e ela percebeu que o anestesista tinha olhado para seus seios e em seguida perguntado se ela estava com frio. “A mulher acredita que o enfermeiro também tenha notado, porque pegou o roupão e jogou nos ombros dela”, diz o documento.

Os depoimentos também relatam anestesias muito mais fortes do que o comum. Uma das enfermeiras que prestaram depoimento conta que questionou Giovanni Bezerra sobre a sedação, e que ouviu de volta: ‘Por quê? Você também quer?’.

Outra enfermeira disse à Polícia Civil que o anestesista estava em pé perto da cabeça da vítima com o pênis ereto, e que Giovanni Bezerra na mesma hora fechou o capote. Após os dois partos, a equipe do plantão de enfermagem se organizou para descobrir exatamente o que estava acontecendo e produzir provas.

O vídeo inteiro que mostra o médico estuprando a paciente tem uma hora e meia de duração, e só foi visto pelos enfermeiros quando terminou a cirurgia. O crime aconteceu já no fim da operação, com o acompanhante já fora da sala de parto e a equipe médica ocupada com os procedimentos finais. Era a primeira vez que aquela equipe médica trabalhava com Giovanni.

A gerente de enfermagem Maria Aparecida de Lima estava de folga, quando soube do crime pelo telefone. “Quem entrou em contato, no primeiro momento, foi a coordenadora. E a partir daí, eu entro em contato com o diretor-geral e mandei o vídeo para o diretor-geral. A equipe chora copiosamente”, contou a chefe do grupo que gravou o estupro.

O diretor-geral do hospital, Abraão Ricardo Viana, ligou então para o diretor-executivo da Fundação Saúde, João Ricardo da Silva Piloto.

“Olha, tem um vídeo. É muito grave. Então, me passa o vídeo. Eu estava indo pro meu apartamento, estava dentro do túnel. Quando eu saí do túnel, entraram as imagens. A gente tem que agir. Agir agora”, conta.

Começou então uma corrida para avisar a polícia ao mesmo tempo em que Giovanni Bezerra era afastado do parto seguinte e substituído por outro anestesista. Mas sem permitir que ele saísse do hospital.

A prisão do anestesista foi feita no próprio hospital, em flagrante. Na última semana, a Justiça do Rio aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou Bezerra réu.

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