Sábado, 25 de junho de 2022

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Cientistas que criaram técnica para produção de moléculas orgânicas assimétricas ganham o Prêmio Nobel de Química

Benjamin List e David W.C. MacMillan são os ganhadores do Prêmio Nobel 2021 em Química, anunciou a Academia Real das Ciências da Suécia nesta quarta-feira (6), pelo desenvolvimento de uma nova ferramenta de construção de moléculas: a organocatálise.

Essa ferramenta é útil para pesquisa de novos produtos farmacêuticos e também ajudou a tornar a química mais verde, segundo o comitê do Nobel. Os vencedores dividirão o prêmio, que totaliza 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,1 milhões).

A descoberta

Como muitas reações químicas são muito lentas, é comum que cientistas usem catalisadores – substâncias que aumentam a velocidade de uma reação. Por muito tempo, cientistas acreditaram que havia apenas dois tipos de catalisadores: metais e enzimas.

Trabalhando separadamente, Benjamin List e David MacMillan desenvolveram, em 2000, um terceiro tipo de catalisador – a organocatálise assimétrica, que se baseia em pequenas moléculas orgânicas.

Essas moléculas tornaram as reações mais rápidas, eficientes e com menor impacto ambiental. A ferramenta também tornou muito mais fácil produzir moléculas assimétricas.

“Assimétrica significa que alguns tipos de moléculas podem existir em duas formas, que são a imagem no espelho uma da outra. A composição é a mesma, mas a posição relativa dos átomos da molécula são imagens especulares. Quando a gente está tentando desenvolver um fármaco, é importante que desenvolva com a composição correta, mas não só isso: que ele seja a imagem especular correta, que seja a apresentação que a gente deseja”, explica o pesquisador André Formiga, do Instituto de Química da Unicamp.

“Então, organocatálise assimétrica é esse novo campo da química, criado por esses dois cientistas, em que se tornou possível produzir moléculas muito específicas – que são uma única das duas possibilidades das imagens especulares – usando um catalisador orgânico”, completa Formiga.

“Isso é uma quebra de paradigma, uma grande transformação, porque, até o ano 2000, ninguém nunca tinha conseguido fazer uma reação desse tipo utilizando o apenas uma molécula orgânica como um catalisador”, afirma o pesquisador da Unicamp.

Segundo o brasileiro, a descoberta de List e MacMillan transformou a química: passou a haver muito investimento nessa área por cientistas, universidades e, também, pelas indústrias química e farmacêutica.

“É uma revolução real, muito importante, porque o que se faz hoje em dia é tentar produzir moléculas que não podem ser sintetizadas pela natureza e que também não podem ser obtidas com os catalisadores naturais”, explica o pesquisador.

“Vai, com certeza, continuar a impactar a sociedade, porque vai continuar permitindo que a gente produza novas moléculas de uma forma mais amigável, mais sustentável, que cause um impacto ambiental menor no futuro”, diz.

Na avaliação de Formiga, a escolha do Nobel foi “excelente”.

“É um prêmio fantástico. Talvez uma das áreas mais importantes da química que, até hoje, não tinha sido reconhecida por um prêmio tão importante. Muito bem vindo, porque ele valoriza a ciência fundamental”, lembra.

“E os dois cientistas agraciados são realmente as duas pessoas que iniciaram isso – na época, talvez não antevissem o grande impacto que a descoberta deles teria na tecnologia. Então, eles começaram um estudo fundamental, e, hoje, muitos remédios que a gente utiliza – muitos antivirais, muitas moléculas – são feitas utilizando os métodos que eles criaram. Realmente fantástico”, completa.

No ano passado, o prêmio de Química foi para Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna pelo desenvolvimento do Crispr, método de edição do genoma. Foi a primeira vez na história que duas mulheres ganharam, juntas, o Nobel de Química.

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