Domingo, 24 de maio de 2026

Cinco locais se recusaram a participar das filmagens sobre Jair Bolsonaro

Integrantes da equipe que trabalhou nas gravações do filme “Dark Horse” (“azarão”, em inglês), sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), contaram que cinco locais se negaram a alugar os espaços para as filmagens do longa-metragem.

Algumas das cenas mais importantes da produção se passam no hospital para onde vai o ator Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente, após levar a facada desferida, na vida real, por Adélio Bispo em Bolsonaro durante a campanha de 2018.

Segundo relatos de profissionais do longa, três hospitais públicos se recusaram a participar do filme, que paga pelo uso dos espaços, chamados de locação no jargão do cinema. A equipe acabou optando por um hospital particular.

Pelo menos outros dois estabelecimentos tampouco quiseram se associar à produção. Diante das negativas, os executivos do filme, como a dona da produtora GoUp, Karina Ferreira da Gama, alegavam perseguição política.

Karina, aliás, foi descrita pela equipe envolvida no filme como alguém “que não entende absolutamente nada de cinema”. A dona da GoUp, responsável pelo longa, ficava “chocada” com orçamentos apresentados pelos profissionais em valores que eram, de acordo com esses trabalhadores, “padrão” no audiovisual. Procurada, a empresa não respondeu. O espaço segue aberto.

Cavalo de rodeio

Outro exemplo dado foi a respeito de uma cena que retratava a Cavalaria do Exército, na qual Karina teria optado por contratar um cavalo de rodeio, em vez de um animal treinado levado por um produtor de animais de cena, como é praxe no cinema. O set do dia “virou um caos”, de acordo com pessoas ouvidas pela reportagem de O Estado de S. Paulo, e o cavalo empinou, assustado com a quantidade de gente no local de gravação.

“Tinha um amadorismo grande da Karina, era chocante”, contou um dos envolvidos no filme.

Karina tampouco parecia saber, na opinião da equipe de filmagem, como funcionava a logística do fechamento de ruas para gravações. Um profissional contou que houve confusão mais de uma vez porque a dona da GoUp não quis pagar donos de estabelecimentos que ficariam o dia sem poder receber clientes por conta do fechamento de vias.

Agressões e assédio

A produção do filme “Dark Horse” também foi alvo de uma série de denúncias de más condições de trabalho durante as filmagens em São Paulo. Ao menos 15 pessoas registraram reclamações no Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP), relatando agressão física, assédio moral, atrasos no pagamento e revistas pessoais constrangedoras no set de filmagem. Os trabalhadores também estavam atuando sem que tivessem assinado os contratos obrigatórios do setor.

O relatório sobre as condições trabalhistas durante as gravações do filme em São Paulo foi divulgado em dezembro, mas até agora, cinco meses depois, as questões ainda não foram resolvidas. A vice-presidente do Sated, Ângela Couto, diz que inicialmente a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo longa-metragem, fez um acordo “para apresentar os contratos e regularizar as questões pendentes”, mas “a Go Up se recusou posteriormente a cumprir o trato inicial”.

Reportagem de O Globo relatou que havia um “problema generalizado” na parte da figuração do filme, e parte dos contratados sequer era ator ou tinha experiência em figuração. A fonte da matéria ainda relata que Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up, não tinha experiência com cinema e por isso houve problemas na organização das filmagens desde a primeira semana. Em algumas diárias, havia mais de 150 figurantes, e há relatos de descontrole no set, com desorganização na alimentação, na ordem de filmagem e nas contratações.

Um dos relatos é de um ator de 21 anos, que afirma ter sido agredido durante uma diária no Memorial da América Latina, em 21 de novembro de 2025. Figurante, ele decidiu entrar no set com o celular, o que não era permitido, e, ao ser abordado na revista, diz ter sido arrastado e empurrado para fora do espaço com tapas e socos. Segundo ele, não havia local adequado para armazenar o aparelho. (As informações são de O Globo e O Estado de S. Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Justiça dos Estados Unidos destrava ação movida por Rumble e Trump Media contra Alexandre de Moraes
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play