Sábado, 19 de setembro de 2026

Com 30% de inadimplência no Desenrola, governo estuda compra de dívidas antigas

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda utilizar recursos públicos para comprar dívidas antigas de consumidores que permanecem nas carteiras dos bancos e têm baixa probabilidade de recuperação. A proposta está sendo analisada após uma parcela relevante dos acordos realizados no Novo Desenrola voltar a apresentar inadimplência.

A ideia em discussão prevê que a União adquira os créditos considerados de difícil recuperação com descontos elevados, que podem chegar a 95% do valor original. Depois da compra, os débitos poderiam ser considerados quitados, de acordo com o modelo que está sendo estudado pelo governo. A proposta ainda não foi formalizada.

O objetivo seria retirar dos balanços das instituições financeiras dívidas antigas que hoje dificultam a concessão de novos empréstimos e, ao mesmo tempo, permitir que consumidores negativados voltem a ter acesso ao mercado de crédito. A operação poderá envolver a Empresa Gestora de Ativos (Emgea), estatal que atua na administração e recuperação de créditos considerados problemáticos.

O desenho em avaliação prevê que os bancos e demais credores ofereçam suas carteiras de dívidas em um processo de venda. O desconto seria definido de acordo com a possibilidade de recuperação de cada conjunto de créditos. Dívidas de até R$ 15 mil contraídas entre 2020 e 2022 estão entre as possibilidades consideradas para o programa.

A discussão ocorre depois dos resultados do Novo Desenrola Brasil. Segundo levantamento citado pelo jornal O Globo, cerca de 30% das dívidas renegociadas no programa voltaram a apresentar inadimplência. O governo avalia que parte dos consumidores continua sem condições de regularizar débitos antigos mesmo após a renegociação.

O Novo Desenrola Brasil foi criado pela Medida Provisória nº 1.355, de 4 de maio de 2026, para permitir a renegociação de dívidas de pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos. O programa abrange operações de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, com atraso entre 91 dias e dois anos. As condições incluem descontos de até 90%, juros de até 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses e possibilidade de utilização de recursos do FGTS para amortização ou quitação.

A medida provisória que criou o programa teve a vigência prorrogada por 60 dias em agosto. O Congresso Nacional registra atualmente a MP como sem eficácia, com prazo para eventual decreto legislativo entre 1º de setembro e 30 de outubro de 2026.

Dados divulgados pela Caixa mostram que o governo também ampliou neste ano as iniciativas de renegociação. O Novo Desenrola permite que famílias enquadradas nas regras renegociem determinadas dívidas bancárias, enquanto o Desenrola Adimplentes criou uma linha para pessoas com renda informal trocarem empréstimos pessoais por crédito com juros de 1,99% ao mês.

A nova proposta ainda está em fase de elaboração. Segundo informações publicadas nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, a operação dependerá da definição do mecanismo de compra dos créditos, dos recursos que serão utilizados e dos critérios para selecionar as dívidas.

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