Sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Governo Trump exigiu ao Brasil compra de aviões da Boeing para voos comerciais

O governo de Donald Trump incluiu na proposta original de acordo com o Brasil, após o tarifaço de 50% imposto ao País em 2025, um compromisso de compra de aeronaves comerciais fabricadas nos Estados Unidos pela Boeing.

Embora a negociação envolvesse o governo Luiz Inácio Lula da Silva, o acordo proposto pelos Estados Unidos em outubro de 2025 previa uma operação entre empresas privadas, com a aquisição de aviões pelas companhias aéreas brasileiras.

“Companhias aéreas brasileiras comprometeram-se a adquirir aeronaves comerciais fabricadas nos EUA, incluindo anúncios de intenção de comprar (xx) aeronaves Boeing”, afirma o rascunho do comunicado conjunto entre Brasil e Estados Unidos, apresentado pelo governo americano e discutido por diplomatas e autoridades comerciais dos dois países.

A quantidade exata de aeronaves seria definida durante as negociações. Por isso, o rascunho mantinha a indicação “xx” entre colchetes no documento chamado “Declaração Conjunta sobre as Relações de Segurança e Econômicas entre os EUA e o Brasil”.

Entre as três principais companhias aéreas brasileiras, Gol e Latam operam atualmente aeronaves da fabricante americana. A frota da Gol é formada majoritariamente por modelos da família Boeing 737. A Latam utiliza aeronaves das famílias 767, 777 e 787 em rotas internacionais, enquanto sua operação doméstica é baseada em aviões da Airbus.

Recentemente, Gol e Latam anunciaram encomendas de jatos da Embraer, fabricante brasileira, em operações celebradas pelo governo Lula. A Azul informou que não possui aeronaves Boeing em sua frota. A Gol não comentou o caso.

Em abril de 2025, ao final de seu processo de reestruturação financeira, a Gol informou ter 91 pedidos firmes de novas aeronaves Boeing 737 MAX. A Latam disse ter recebido dois Boeing 787-9 Dreamliner no primeiro semestre e que deveria receber outras unidades até o fim daquele ano.

Segundo integrantes do Itamaraty que participaram das discussões, o chanceler Mauro Vieira descartou imediatamente os termos apresentados e determinou que seus assessores informassem aos representantes americanos que aquelas condições não deveriam ser levadas à mesa de negociações.

A proposta também incluía demandas comerciais, como a abertura de setores industriais e condições para a exploração de minerais críticos. Na área política, previa que o Brasil se comprometesse com “eleições livres e justas em 2026” e não detivesse, prendesse ou limitasse arbitrariamente a participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral.

Um documento interno do governo brasileiro, também obtido pelo Estadão, registra discussões sobre um compromisso de compra de aeronaves americanas e sugere a adoção de uma “meta de compras brasileiras” dos Estados Unidos. O texto projetava a encomenda de 90 aviões.

Em 9 de janeiro de 2026, uma nova proposta de acordo de curto prazo apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) previa, no setor aeroespacial, que o governo brasileiro deveria “remover todas as barreiras tarifárias e não tarifárias à venda de jatos executivos dos EUA no Brasil”.

O documento listava o setor Aeroespacial entre os “itens prioritários para um acordo de curto prazo” nas “Discussões EUA-Brasil sobre Comércio Recíproco”.

Em carta enviada ao chanceler Mauro Vieira, o chefe do USTR, Jamieson Greer, afirmou: “Estou desapontado por não termos avançado mais, apesar de nossas numerosas interações”. Greer citou tarifas brasileiras sobre etanol e outros produtos, além de barreiras não tarifárias e medidas relacionadas ao comércio digital.

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifaço imposto por Trump a centenas de países, incluindo o Brasil. Em julho, o presidente americano anunciou uma nova rodada de sobretaxas sobre produtos brasileiros.

O governo brasileiro tenta negociar com os Estados Unidos, e uma nova conversa entre os dois países está prevista para o fim de setembro, durante reunião do G-20. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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