Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de setembro de 2026
Luiz Edson Fachin determinou também que o plenário da Corte analise o relatório da Polícia Federal com as mensagens enviadas por Daniel Vorcaro para Alexandre de Moraes. A sessão extraordinária, com todos os ministros, está marcada para terça-feira (15).
Fachin convocou uma sessão para as 10h do dia 15 exclusivamente para analisar o relatório da Polícia Federal que encontrou 52 mensagens de Daniel Vorcaro para o ministro Alexandre de Moraes. As mensagens são de 28 de outubro a 17de novembro de 2025 – dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Na época, o Banco Master já era alvo de investigações. Nas mensagens, Vorcaro pede orientação jurídica, marca encontros com Moraes e ajuda para se proteger de investigações.
Na semana passada, ao tornar público o relatório, André Mendonça pediu que o STF se reunisse em uma sessão aberta para analisar os novos elementos apresentados pela Polícia Federal. O relatório da PF mostra que, no dia 15 de novembro, a dois dias da prisão, Daniel Vorcaro consultou Moraes sobre deixar o país.
Uma sessão para discutir um relatório como esse – com menção a ministro do Supremo – é inédita na Corte. Ela será presidida por Edson Fachin e será aberta. O Supremo ainda não divulgou o roteiro da sessão.
O STF é composto por onze ministros. Mas, desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025, a vaga não foi preenchida. Assim, a expectativa é de que dez ministros participem da sessão: Luiz Edson Fachin, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
A sessão de terça-feira (15) não irá julgar o ministro Alexandre de Moraes, mas apenas decidir se autoriza a abertura de investigação contra o ministro. Mas há dúvidas se todos vão votar.
Toffoli vem se declarando impedido de participar de decisões sobre o Banco Master desde fevereiro de 2026, quando, após ser pressionado, deixou de ser o relator do inquérito. Ele admitiu ser sócio da empresa que vendeu participação em um resort para fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Também há dúvida se Moraes participaria da votação a respeito de uma investigação contra ele próprio. Assim como Mendonça – que sugeriu levar o caso ao plenário.
O professor da Universidade Federal Fluminense Gustavo Sampaio disse que o plenário é soberano para decidir. Ele considera prudente que os ministros diretamente envolvidos não participem da votação:
“Há uma expectativa, há dúvida ainda. Apenas me parece, diante dessa guerra interna surgida no Supremo Tribunal Federal, neste momento tão delicado em mais de 135 anos de história da nossa Suprema Corte, me parece que a prudência recomendará que tanto o ministro Alexandre de Moraes quanto o ministro André Mendonça e talvez, por que não, o próprio ministro Dias Toffoli, que no início da Operação Compliance Zero era o relator da supervisão das investigações, se abstenham de votar. Mas essa possibilidade está na expectativa do que se conferirá no próximo dia 15, quando a sessão plenária acontecer”. Com informações do portal G1.