Quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Com alta de 1% do PIB, Brasil dá salto em ranking global e fica na 9ª posição

O Brasil melhorou sua posição no ranking de crescimento global neste primeiro trimestre de 2022. Segundo levantamento feito pela agência de classificação de risco Austin Rating, com avanço de 1% entre janeiro e março deste ano, o país ocupa a 9ª posição no índice que considera 34 países. O Brasil terminou o ano de 2021 na 21ª posição neste mesmo ranking.

No topo do ranking apareceu o Peru, com crescimento no primeiro trimestre de 2%, seguido das Filipinas (crescimento de 1,9%) e Canadá (1,6%). A China apareceu na quinta colocação, com expansão de 1,3% no período.

Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o setor de serviços carregou o Produto Interno Bruto (PIB) nas “costas” neste primeiro trimestre. O crescimento de 1% surpreendeu o economista, que esperava uma expansão de 0,6% no período.

“O setor de serviço puxou o PIB neste primeiro trimestre, enquanto a indústria continua patinando e a agropecuária recuou. A retomada de atividades como transportes, turismo, comércio, foi fundamental para este crescimento após as medidas drásticas tomadas durante a covid”, diz Agostini.

Ele observa que enquanto a economia brasileira avançou 1%, outros países com economias fortes como a Alemanha (crescimento de 0,2% no primeiro trimestre e 20º lugar no ranking) e o Reino Unido (0,8%, 14º lugar no levantamento) cresceram menos.

Ele explica que estes países estão em fases diferentes do Brasil, que reabriu a economia depois deles.

“Por isso, o Brasil cresceu mais agora. Estes países já começam a voltar a uma certa “realidade” do crescimento de suas economias, embora estejam sendo afetados pelos efeitos da guerra na Ucrânia. Até mesmo a China já começa a mostrar desaceleração”, observa Agostini.

Esse avanço do Brasil no ranking para ficar entre as dez primeiras posições é uma exceção na comparação com os últimos anos. O país sempre tem aparecido nas posições intermediárias ou na rabeira do ranking.

No primeiro trimestre de 2020, por exemplo, ocupou a 23ª posição entre 44 países. No ano passado, no mesmo período, o país apareceu no 19º lugar, entre 50 países levantados pela Austin Rating.

Segundo a agência de classificação de risco, a média anual de crescimento da economia brasileira entre 2012 e 2021 ficou em 0,4%. No mesmo período, o mundo cresceu em média 3% por ano, as economias emergentes do chamado Brics — grupo que reúne Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul — tiveram expansão de 3,4%, e os países desenvolvidos da Europa e os Estados Unidos cresceram 1,2%.

“Além das consequências da pandemia, nossos problemas internos como baixo investimento e situação fiscal descontrolada também pesaram sobre esse desempenho ruim. São fatores quase estruturais”, diz Agostini.

Ele observa que o bom desempenho obtido pela Brasil de janeiro a março no crescimento econômico não deve se repetir nos próximos trimestres. O país deverá começar a sentir os efeitos da alta da Selic, que atualmente está em 12,75% ao ano. Além disso, o aumento de casos de covid no País acende a luz amarela.

“Mesmo que não sejam tomadas medidas drásticas, as pessoas tendem a se retrair e deixam de ir ao cinema, teatro, viajar, sair para fazer compras. E tem a inflação, que consome renda. As pessoas ficam mais cautelosas. Isso afeta negativamente o consumo e deve se refletir no desempenho do PIB nos próximos meses”, diz o economista, que estima crescimento de 0,3% para este ano.

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