Segunda-feira, 04 de maio de 2026

Com inflação menor e queda do dólar, o ministro da Fazenda vê oportunidade para o Banco Central baixar os juros: “espero que seja aproveitada”

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nessa quinta-feira (13) na China que vê uma “janela de oportunidade” para que o Banco Central (BC) brasileiro inicie o processo de corte da taxa básica de juros, da economia, atualmente em 13,75% ao ano.

Esse é o maior nível em mais de seis anos, e representa, em termos reais, a maior taxa do mundo.

“Então, veja os efeitos da queda da inflação, o câmbio com o real mais valorizado, variáveis se estabilizando, curva de juros futuros caindo. Há sinais evidentes, e economistas de várias escolas se manifestando até pela imprensa, que dizem que chegou o momento de iniciarmos uma trajetória de queda consistente [de juros] com o que o Brasil atingiu”, declarou o ministro ao jornal “O Globo” e ao portal Metrópoles.

Essa é uma nova referência da equipe econômica ao processo de alta dos juros, conduzido pelo Banco Central para tentar conter as pressões inflacionárias.

O BC autônomo, comandado por Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, tem sido alvo de ataques do presidente Lula, em razão do patamar da taxa básica de juros.

Na terça (11), o resultado da inflação de março gerou uma onda de otimismo no mercado financeiro ao ficar abaixo do esperado – indicando que o BC pode iniciar o movimento de corte dos juros no decorrer deste ano.

O resultado impulsionou a Bolsa de Valores para cima e o dólar para baixo.

Nessa quinta, o dólar encerrou o pregão em queda depois dos resultados positivos de inflação ao consumidor também nos Estados Unidos. A moeda norte-americana terminou o dia negociada a R$ 4,92.

Para definir o nível dos juros, o Banco Central se baseia no sistema de metas de inflação. Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o Banco Central pode reduzir o juro básico da economia.

Neste momento, o BC já está ajustando a taxa Selic para tentar atingir a meta de inflação do próximo ano, uma vez que as decisões sobre juros demoram de seis a 18 meses para terem impacto pleno na economia.

A meta de inflação do próximo ano é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado formado pela diretoria e pelo presidente do BC, responsável por definir a taxa básica de juros, está marcada para os dias 2 e 3 de maio. Até o momento, a expectativa do mercado financeiro é de uma nova manutenção na taxa Selic no atual patamar de 13,75% ao ano.

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