Sexta-feira, 19 de julho de 2024

Como o advogado Wassef tentava apagar os rastros de suas conversas com Bolsonaro

Preocupado em não deixar rastros de suas conversas telefônicas, em especial com Jair Bolsonaro, o advogado Frederick Wassef costumava adotar a prática de ter conversas por chamadas de vídeo ou áudio, utilizando aplicativos como WhatsApp.

Quando o interlocutor era o então presidente, o meio preferencial sempre foi vídeo, como costumava relatar o próprio advogado a interlocutores.

Desde que Bolsonaro foi eleito presidente, em 2018, Wassef dizia ter um aparelho exclusivo para conversas com ele e com o senador Flávio Bolsonaro, que também é seu cliente.

Na semana passada, quatro telefones do advogado foram apreendidos pela Polícia Federal (PF).

Senhas

A PF conseguiu nessa segunda-feira (21) acessar os dados dos celulares de Wassef. Segundo investigadores, o advogado não forneceu as senhas dos aparelhos, mas, com técnicas de perícia, foi possível ter acesso às informações.

“Ele não deu as senhas. Nossa equipe quebrou as senhas e acessou o conteúdo”, disse uma fonte ao blog da jornalista Camila Bomfim, no portal G1.

Dos quatro aparelhos, que foram apreendidos em São Paulo na última quarta-feira (16), um era utilizado exclusivamente para conversas com Bolsonaro. Além de apreender os celulares de Frederick Wassef, a PF revistou o carro do advogado, que estava estacionado em uma vaga para deficientes.

A operação foi deflagrada um dia depois de Wassef admitir ter comprado, nos Estados Unidos, o relógio Rolex dado de presente pelo governo árabe a Jair Bolsonaro e vendido ilegalmente pelo seu então ajudante de ordens Mauro Cesar Cid.

Investigado pela PF por suposto envolvimento no esquema de venda de joias presenteadas ao Brasil, Wassef declarou na última terça (15) que comprou o relógio por US$ 49 mil com seu próprio dinheiro durante as “férias” para “devolver à União” por causa da decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que solicitou a devolução dos presentes recebidos na gestão Bolsonaro.

Cid pai

Depois de acessar celulares do advogado Frederick Wassef, a PF conseguiu as senhas também do aparelho do general Mauro Lorena Cid, pai de Mauro Cid.

O celular chegou nessa segunda a Brasília, vindo do Rio de Janeiro, onde foi apreendido na casa do pai do ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo investigadores, os peritos vão começar a acessar um celular e um HD de um computador apreendidos na casa do general Mauro Cid. As senhas, segundo eles, já foram identificadas, da mesma forma como foi feito com os quatro celulares do advogado Wassef.

Para a PF, o celular do pai de Mauro Cid é uma peça importante nas investigações. Motivo: o general Mauro Lorena Cid é amigo do ex-presidente Bolsonaro. Formaram junto na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Bolsonaro nomeou o general para um cargo na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), em Miami.

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