Segunda-feira, 18 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de maio de 2026
Tão logo o “Intercept” revelou um áudio que mostra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociando uma quantia milionária com Daniel Vorcaro para o filme sobre seu pai, o PT já foi às redes sociais cutucar o senador.
O post foi direto:
“Urgente! Vaza áudio de Flávio Bolsonaro cobrando pagamentos milionários de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar filme sobre a história de Jair Bolsonaro. Compartilhe ao máximo”.
É um indicativo do que o partido de Lula pretende fazer na comunicação sobre o caso. Ao menos nesse primeiro momento, a legenda planeja insistir na tese de somente falar a verdade e apresentar fatos, notícias divulgadas pela imprensa ou falas dos próprios personagens. Ou seja, sem necessidade de adjetivar.
Mas entre petistas influentes a orientação é subir o tom e gravar vídeos e fazer publicações duras contra Flávio, sobretudo após o senador e aliados tentarem colar o caso Master ao PT.
Diz um petista que atua na pré-campanha de Lula:
— É mais um fio desencapado. E vai aparecer mais. O Flávio Bolsonaro é um ótimo candidato para a gente.
Ofensiva jurídica após áudio de Flávio a Vorcaro soma ao menos 20 pedidos
A revelação de conversas atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro motivou ofensiva jurídica com uma série de pedidos para investigações e possíveis medidas cautelares, como quebra de sigilo e prisão preventiva do pré-candidato à Presidência.
Levantamento da CNN mostra que foram apresentados ao menos 20 solicitações enviadas, em especial, à PGR (Procuradoria-Geral da República) e também à PF (Polícia Federal), STF (Supremo Tribunal Federal), CGU (Controladoria-Geral da União), Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e TCU (Tribunal de Contas da União).
A série de ações foi apresentada após reportagens do Intercept Brasil divulgar áudios, mensagens e documentos sobre negociações entre Flávio e Vorcaro, realizadas entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, envolvendo recursos para financiar o longa “Dark Horse”.
A produção é uma cinebiografia sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O patrocínio contratado somava R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos efetivamente.
Além de pedidos a órgãos públicos, duas siglas também anunciaram ter enviado representações pedindo a possível cassação de Flávio por quebra de decoro parlamentar. A federação PSOL-Rede e o partido Missão informaram terem entrado com pedidos no Conselho de Ética do Senado. O colegiado, no entanto, não tem reuniões desde julho de 2024.
A equipe da pré-campanha de Flávio ainda aguarda desdobramentos para avaliar frentes jurídicas sobre o caso. Se houver o que foi classificado como “difusão de fake news” envolvendo o episódio, o time jurídico dá como certo acionar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Sobre as tratativas com Vorcaro, Flávio nega irregularidades e tem afirmado que discutiu “especificamente” sobre a produção do filme. Segundo ele, acordo envolvia apenas recursos privados. Com informações dos portais O Globo e CNN.