Quarta-feira, 01 de dezembro de 2021

Concluído o leilão do 5G, empresas vencedoras agora fazem planos para antecipar início do serviço; prazo nas 27 capitais é até julho

Com o fim da disputa por frequências no leilão do 5G, as empresas de telecomunicações entram agora numa nova corrida: quem será a primeira a oferecer a nova tecnologia? Pelo edital, o prazo para ofertar o sinal nas 27 capitais é 31 de julho de 2022, mas elas podem se antecipar a essa data.

O presidente da Algar Telecom, Jean Carlos Borges, disse que quer oferecer a nova tecnologia o mais rápido possível. A empresa, com forte presença no triângulo mineiro, arrematou sete blocos em três frequências. Como ainda é preciso “limpar” a faixa de 3,5 GHz (principal do 5G), para evitar interferências dos canais transmitidos por antenas parabólicas, a expectativa da empresa é de começar a oferecer o serviço na faixa de 2,3 GHz. “Faremos de tudo para que isso ocorra ainda neste ano.”

Responsável por alguns dos lances mais agressivos do leilão, a Claro também quer liderar a corrida do 5G. “Já temos algo engatilhado”, afirmou o presidente da Claro, José Félix. Assim como a Algar, a Claro vê na faixa de 2,3 GHz a chance de se antecipar aos concorrentes.

A TIM aposta na faixa de 3,5 GHz para lançar o 5G, e diz aguardar a conclusão da limpeza da faixa para oferecer o serviço. “Uma vez que a faixa estiver liberada, o 5G estará no ar. Do ponto de vista industrial, está tudo pronto”, disse o vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Institucionais da TIM, Mario Girassole.

A Vivo, que comprou quatro blocos na faixa de 2,3 GHz e dois na de 3,5 GHz, concentrou seu interesse na ampliação da oferta de serviços no Norte, Centro-Oeste e Sudeste. Em nota, também fala em acelerar o serviço.

O presidente executivo da Conexis, Marcos Ferrari, disse que os consumidores ainda vão conviver por muitos anos com o 4G. Pelo cronograma do edital, algumas localidades terão a nova tecnologia apenas em 2029.

Pouco abaixo

Classificado pelo governo como o maior leilão de telecomunicação da América Latina, a disputa para implantação da tecnologia 5G no Brasil, finalizado na sexta (5), movimentou R$ 47,2 bilhões. Foram leiloados lotes nas faixas de 700 MHz, 3,5 GHz, 2,3 GHz e 26 GHz, que farão as empresas vencedoras tanto ofertar a nova tecnologia como reforçar o sinal 4G no País.

O número final do leilão, que durou dois dias, foi um pouco menor que a expectativa inicial do governo, já que nem todos os lotes foram arrematados. O saldo inicialmente previsto era de R$ 49,7 bilhões. Mesmo assim, dos blocos que receberam ofertas, foi registrado no valor de outorga pago pelas empresas um ágio médio (valor maior que o preço mínimo) de 211,7% – número avaliado positivamente pelo governo e pela Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel).

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirmou que a disputa “superou todas as expectativas”. “Temos certeza que todos os valores arrecadados serão convertidos em benfeitorias”, disse.

Competição

Faria também destacou ainda as novas empresas que farão sua estreia no setor de telefonia móvel a partir do leilão. De 10 novas companhias que apresentaram propostas, seis levaram pelo menos um lote. São elas a Brisanet, o Consórcio 5G Sul, a Cloud2u, a Winity II Telecom, a Neko Serviços de Comunicações Entretenimento e a Fly Link.

Com esse movimento, o governo espera que o mercado de telefonia se torne mais competitivo no Brasil, com melhores preços ofertados e qualidade de serviço. Atualmente, Claro, Vivo e Tim concentram grande parte do setor. Mesmo com as novas concorrentes, as três grandes companhias conseguiram, com o leilão, se manter em posições de liderança ao ofertarem lances vitoriosos em lotes nacionais e importantes para a nova tecnologia 5G.

Entre os compromissos das empresas vencedoras está o atendimento de todas as sedes municipais com a tecnologia 5G. Dentro disso, 1.174 municípios com mais de 30 mil habitantes terão pelo menos três prestadoras. Já as outras 4.396 cidades com menos de 30 mil habitantes contarão com pelo menos uma prestadora.

Também estão entre as obrigações o oferecimento de 4G em 1.185 trechos de rodovias, totalizando 31 mil quilômetros, além da injeção de R$ 3,1 bilhões para promoção de conectividade nas escolas.

Sem oferta

Apesar do sucesso avaliado, alguns lotes não receberam proposta no leilão. No total, 45 foram arrematados, de 120 que de fato foram licitados. Segundo a Anatel, 63 foram desabilitados em razão da venda ou não venda de outros lotes.

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