Quinta-feira, 16 de julho de 2026

Polícia Federal identifica códigos para pagamento de propina no desvio de aposentadorias do INSS

A Polícia Federal identificou o uso de códigos para registrar o pagamento de propinas no esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As informações constam do primeiro inquérito concluído pela corporação no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga uma organização criminosa suspeita de desviar recursos de beneficiários por meio de cobranças associativas não autorizadas.

De acordo com o relatório da Polícia Federal, os investigados utilizavam expressões codificadas em planilhas, mensagens e registros financeiros para ocultar a distribuição de valores destinados ao pagamento de vantagens indevidas a integrantes da organização e a agentes públicos. Os apelidos e códigos tinham como objetivo dificultar a identificação dos beneficiários das transferências e esconder a origem dos recursos movimentados.

As investigações apontam que o grupo estruturou um sistema para arrecadar mensalidades de associações diretamente dos benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas sem autorização dos titulares. Parte dos valores arrecadados era desviada para empresas de fachada e operadores financeiros responsáveis por lavar o dinheiro e efetuar os repasses aos integrantes do esquema.

Segundo a Polícia Federal, a análise de documentos apreendidos, aparelhos eletrônicos e movimentações bancárias permitiu identificar a existência de uma contabilidade paralela destinada ao controle dos pagamentos ilícitos. Os investigadores afirmam que os códigos eram utilizados de forma recorrente para registrar repasses de propinas e ocultar a identidade dos destinatários.

O primeiro inquérito da Operação Sem Desconto resultou no indiciamento de 48 pessoas, entre elas empresários, dirigentes de entidades associativas, operadores financeiros e agentes públicos. Também foram indiciados o ex-ministro do Trabalho e Previdência José Carlos Oliveira, que presidiu o INSS antes de assumir o ministério, e o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG). Ambos negam as acusações.

A Polícia Federal sustenta que a organização criminosa atuava para manter o esquema em funcionamento mediante o pagamento de vantagens indevidas e a obtenção de proteção política e institucional. Os investigadores afirmam que o grupo movimentou recursos milionários por meio de contratos firmados entre entidades associativas e o INSS, permitindo descontos automáticos em benefícios previdenciários sem o consentimento dos aposentados.

O relatório foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que analisará os elementos reunidos pela investigação para decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia à Justiça. Paralelamente, a Polícia Federal informou que outras frentes da Operação Sem Desconto permanecem em andamento para apurar a participação de novos envolvidos e identificar o destino dos recursos desviados no esquema.

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