Quinta-feira, 16 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de julho de 2026
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu nesta quinta-feira (16) o Pix como um sistema de pagamentos “gratuito”, “seguro” e “instantâneo”, destacando seu potencial para ampliar a inclusão financeira no Brasil. A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa convocada pelo governo federal para rebater os argumentos apresentados pelos Estados Unidos na decisão de impor uma nova tarifa sobre produtos brasileiros.
Ao lado de ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Galípolo comentou a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que resultou na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Entre as críticas feitas pelo governo de Donald Trump está a alegação de que o Pix favorece o sistema de pagamentos brasileiro em detrimento de empresas americanas que atuam no setor.
Segundo o USTR, o Banco Central exerce simultaneamente as funções de regulador e operador do Pix, o que, na avaliação do governo americano, limitaria a concorrência e prejudicaria companhias privadas de meios de pagamento.
Ao responder às críticas, Galípolo afirmou que o Banco Central continuará oferecendo o Pix de forma gratuita e investindo na evolução do sistema.
“A gente vai seguir sempre fornecendo o Pix como algo gratuito, seguro e instantâneo e seguir na evolução técnica do Pix em cooperação com outros bancos centrais para que, cada vez mais, a população brasileira possa ter acesso a serviços financeiros de maneira mais segura, mais rápida e com maior inclusão financeira”, declarou.
O presidente do BC também afirmou que o avanço do Pix reduziu a utilização de meios de pagamento considerados mais caros e menos eficientes.
“Quando a gente olha para as alternativas e o que aconteceu no mercado, quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos. O custo de transação de você levar fisicamente cheques ou dinheiro físico é altíssimo. Então, o caso da implementação do Pix consegue se configurar como um desses em que ele é benéfico para quem demanda e para quem oferta, para o setor público e para o setor privado”, afirmou.
Galípolo acrescentou que o Banco Central pretende ampliar a cooperação internacional para disseminar a tecnologia do Pix em outros países. Segundo ele, a instituição já firmou acordos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais interessados em desenvolver sistemas de pagamentos instantâneos.
“O Banco Central já assinou com mais de 47 outros bancos centrais termos de cooperação técnica para que o Banco Central possa transferir tecnologia e esses outros bancos centrais possam desenvolver o seu sistema de pagamento instantâneo também. Países como Estados Unidos, Europa, China, Índia e Singapura, entre outros, já implementaram ou estudam implementar sistemas de pagamento instantâneo”, afirmou.
O Pix foi citado pelo governo americano na investigação comercial que embasou a nova tarifa sobre produtos brasileiros. Apesar das críticas, o governo brasileiro sustenta que o sistema ampliou a inclusão financeira, reduziu custos de transação e aumentou a eficiência dos meios de pagamento no país.