Domingo, 25 de fevereiro de 2024

Conheça as proibições que tornaram a Flórida um reduto ultraconservador nos Estados Unidos

Historicamente marcado por períodos de alternância entre predomínio republicana ou democrata, o Estado norte-americano da Flórida sempre foi o indeciso mais importante nas eleições do país. Mas esse cenário mudou. Protagonistas como o governador atual, Ron DeSantis (em segundo mandato), transformaram a região em um reduto republicano e ultraconservador.

Ele se valeu do apoio por ampla maioria do Legislativo local, o chefe do Executivo para aprovar nos últimos meses uma série de leis que restringem direitos e liberdades. Com isso, fez da Flórida um exemplo de governança para a ala mais radical do Partido Republicano.

Tanto é assim que a gestão do político de 44 anos tem sido considerada uma espécie de “carta de apresentação” para a disputa interna com o ex-presidente Donald Trump (2017-2020) em torno de uma candidatura à Casa Branca na eleição do ano que vem.

Tal popularidade tem sido conquistada com leis e proibições que fazem de seu governo um exemplo para conquistar o apoio da maioria republicana no resto do país, embora no momento seja Trump o lídera nas pesquisas de intenção de voto.

“A candidatura de DeSantis simboliza que a Flórida se tornou o estado de aplicação da lei mais reacionário do país”, lamenta o crítico William Smith, professor emérito de ciência política da Universidade de Miami.

Educação domiciliar

Para fazer seu primeiro discurso como candidato à presidência dos Estados Unidos, DeSantis escolheu uma reunião de pais que decidiram educar os filhos em casa em vez de mandá-los para escolas públicas. Muitos desses adultos têm uma posição ideológica fortemente conservadora.

O veto ao que ele considera “doutrinação escolar” é uma das armas de DeSantis, que se alimenta da crescente desconfiança (alimentada pela pandemia e pelo uso de máscaras nas aulas) dos conservadores em relação às instituições de ensino.

DeSantis também escolheu rivalizar com os setores progressistas que ele acusa de terem dominado as escolas e universidades estaduais da Flórida. Ele contra-atacou, assinando uma legislação que impõe uma mordaça ao ensino de certas disciplinas da História americana.

Cerco ao aborto

Da proibição do aborto após a sexta semana de gravidez  e a restrição do conteúdo ensinado em escolas e universidades estão em uma longa lista de regulamentações promulgadas nos últimos meses por DeSantis.

No ano passado, DeSantis passou da proibição de abortos após 24 para 15 semanas, e depois para apenas seis. Assim, a Flórida tornou-se um dos Estados mais restritivos do país em relação ao acesso à interrupção voluntária da gravidez.

O aborto, já nas mãos dos Estados depois que a Suprema Corte decidiu há um ano que não é um direito no país, representa hoje uma das grandes questões que dividem republicanos e democratas.

DeSantis também assinou o Heartbeat Protection Act, que proíbe abortos se o feto tiver um batimento cardíaco detectável. O objetivo é evitar o que o governo da Flórida chama de “infanticídio”.

Questões de gênero

A ponta-de-lança da política do governador nas questões de gênero é uma lei que restringe a educação sexual nas escolas, bem como o uso de linguagem inclusiva. “Não pode haver instrução em sala de aula por funcionários da escola ou terceiros sobre orientação sexual ou identidade de gênero”, diz a regra.

DeSantis defende isso como forma de evitar a “doutrinação” e deixar esse tipo de questão nas mãos dos pais e não das escolas. O Departamento de Educação da Flórida estendeu em dezembro passado a aplicação dessa regra às bibliotecas, o que acabou retirando alguns livros das escolas.

Imigração ilegal

DeSantis também se apresenta como um defensor da luta contra a imigração ilegal, apesar de seus adversários afirmarem que colocar mais obstáculos aos indocumentados afeta a economia da Flórida, cujo mercado de trabalho emprega centenas de milhares deles.

Há alguns meses, ele foi o protagonista de uma grande polêmica nacional quando seu governo decidiu transferir dezenas de migrantes indocumentados da fronteira do Texas para a ilha de Martha’s Vineyard, destino de democratas ricos – a intenção era “forçar os esquerdistas a conviverem com as consequências de não controlar adequadamente as fronteiras do país”.

Dessa forma, DeSantis busca imitar a postura imigratória caracteristicamente dura de Trump e se colocar à frente do governo do presidente Joe Biden, que buscará a reeleição – e que DeSantis quer enfrentar em 2024 com a intenção de fazer os Estados Unidos parecerem como a Flórida.

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