Sábado, 13 de julho de 2024

Conseguirá a Copa do Mundo unir todos os brasileiros após as divergências nas eleições? Entenda como

Tradicionalmente, a Copa do Mundo ocorre no meio do ano, mas, em 2022, por questões climáticas, ela será em novembro. Além disso, pela primeira vez, ela acontecerá após o período eleitoral brasileiro, em um ano caracterizado por uma grande polarização e que trouxe à tona desavenças políticas e ideológicas para o círculo social e familiar. Seria o futebol responsável por unir o brasileiro novamente?

Para Maria Raquel, antropóloga, professora de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UERJ, o futebol sempre foi um fenômeno muito potente em criar um senso de coletividade e pertencimento simbólico a algo em comum: a identidade de ser brasileiro. “O mundo futebolístico, no entanto, não passou ileso e tende a ser cada vez mais atravessado pela política, o que é positivo. Não é possível saber se a Copa terá o poder de curar todas as fraturas, mas certamente será uma boa oportunidade de olhar para a frente e fazer seguir o jogo”, afirma.

Nesse domingo (30), acontece o segundo turno das eleições de 2022. Além do desgaste natural de uma campanha eleitoral, esta é de fortes emoções para os brasileiros. De acordo com a última pesquisa divulgada pelo Datafolha, 19, 50% dos eleitores se negam a votar em Bolsonaro e 46% dizem não votar de jeito nenhum em Lula. Ou seja, independentemente de quem seja eleito, quase metade da população não ficará contente com o próximo chefe do Executivo.

Para a bancária Andrea Santos, 43, as pessoas estão em um nível de saturação sem precedentes na história da democracia brasileira e afirma que em seu convívio social e familiar todos estão se sentindo cansados e ansiosos. “Todos os dias somos bombardeados com uma avalanche de mensagens sórdidas e tóxicas. Uma verdadeira indústria de fake news que nos cansa, nos exaure e esgota. Isso tem impactos diretos em nossa saúde física, mental e espiritual”, comenta.

Os profissionais de saúde também têm sentido que a tensão constante provocada pela polarização tem levado muitas pessoas a buscarem ajuda. A psicóloga clínica Vanuza Santos observa queixas de pacientes atreladas ao processo eleitoral. “Esses enfrentamentos rotineiros pela defesa do candidato influenciam o funcionamento emocional e comportamental, podendo ocasionar conflitos nos relacionamentos interpessoais, gerando ansiedade, estresse, humor deprimido, entre tantos outros”, comenta.

O clima político interferiu até na caracterização dos torcedores. A fotógrafa Laís Torres, 23, prefere usar algo diferente nessa Copa. Ela vai optar por usar a camisa azul ou branca nos dias dos jogos da seleção. “Os bolsonaristas acabam usando a camisa amarela com os detalhes verdes. E é uma pena termos nossa bandeira sendo assimilada por um candidato”, lamenta.

Já a jornalista Luiza Sarmento não acredita que a Copa do Mundo poderá unir novamente o brasileiro que foi separado pela eleição polarizada. “Essa foi uma divisão muito forte. Eu não quero estar do mesmo lado que essas pessoas. É como se estar do mesmo lado que eles em qualquer aspecto fosse ruim, ainda que seja sobre futebol”, declara.

Para a psicóloga Vanuza, a incapacidade de manejar os conflitos emocionais faz com que as pessoas criem uma ruptura com parentes, amigos e tenha dificuldades de compreender o grau de relevância das relações rompidas e se elas devem ser mantidas pós-eleição.

Vanuza acredita que a dificuldade em aceitar a derrota consiste em repensar a própria opinião, ocasionando um desconforto emocional imediato. “Escutar a versão do outro sem se sentir acusado pode ser uma das suas maiores limitações humanas “, afirma.

A profissional indica como estratégia para lidar com um resultado negativo nas urnas encará-lo como um processo de luto, que precisa ser elaborado, especialmente, por ainda vivermos esse cenário fragmentado pela pandemia.

“Ainda que haja uma profunda frustração pela perda do direito em nomear o seu candidato ideal, é indispensável compreender que todos têm o direito de exercer a sua cidadania através do processo democrático do voto, que dependerá da sua maioria para dar continuidade ao governo subsequente”, enfatiza.

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