Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 10 de junho de 2026
Alvo de polêmica ainda antes da estreia em 2026, o uniforme da Seleção Brasileira é um símbolo que vai além do time. Até por isso, parece difícil pensar que a Amarelinha nem sempre foi amarela. A cor só foi adotada a partir de 1954, depois do “Maracanazo”, em 1950, nome dado à derrota brasileira para o Uruguai no Maracanã na primeira final disputada pelo Brasil, na primeira Copa do Mundo realizada no País.
Junto com a nova cor, em 1954, veio também o apelido Canarinho, criado pelo locutor esportivo e radialista Geraldo José de Almeida. A denominação acompanha até hoje a seleção brasileira e a camisa amarela se tornou símbolo de vitórias no imaginário coletivo. Curiosamente, no entanto, não foi de verde e amarelo que a seleção conquistou sua primeira Copa do Mundo, em 1958: ali era imortalizado o uniforme azul, que virou para sempre o segundo do Brasil.
Naquele dia 29 de junho de 1958, no Estádio Råsunda, na cidade de Solna, na Suécia, o Brasil teria que deixar a Amarelinha de lado, pois a final seria disputada com a anfitriã Suécia, que ganhou em sorteio o direito de usar seu uniforme nº 1, também amarelo.
A Seleção Brasileira havia viajado apenas com o uniforme principal para a copa e precisou recorrer ao azul, que já havia vestido em oportunidades anteriores ao Mundial. A solução foi comprar um conjunto de camisas na Suécia e costurar às pressas os números. À época, Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira, disse que a cor azul era também uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Naquele momento, para além da mística em torno de nossas cores, criou-se uma outra, em torno da camisa número 10, usada por Pelé. Aos 17 anos, o jogador do Santos marcou 5 gols na Copa do Mundo, sendo dois na final, incluindo um que entrou para a história, após aplicar um chapéu no zagueiro. A partir dali, o número 10 seria associado a craques.
Mudanças
Além do número de estrelas referentes aos títulos – tradição iniciada em copas em 1974, quando surgiram no uniforme as três estrelas acima do escudo que identificavam os títulos conquistados até então –, o que mais mudou na camisa foi o escudo.
A sigla da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) deu lugar à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a partir do Mundial de 1982.
Naquela edição, assim como nas duas seguintes (1986 e 1990), o escudo da CBF tinha as letras da confederação, a imagem da taça da Jules Rimet, conquistada três vezes pelo Brasil, e um ramo da planta de café. Tratava-se de uma ação de marketing do Instituto Brasileiro do Café, patrocinador da entidade na época.
A partir de 1991, o símbolo da CBF retomou a forma semelhante à da antecessora CBD, com a cruz branca. Vieram em seguida algumas leves modernizações. E a última reformulação se deu em 2020, com mais destaque para as cores.
Entre os modelos dos uniformes da seleção brasileira, ganham destaque os do tetracampeonato, em 1994, com escudos da CBF na estampa, e o do penta, em 2002, com detalhes verdes nas laterais.
O Brasil tem, desde 1996, a Nike como fornecedora esportiva. A última renovação de contrato foi anunciada em dezembro de 2024, com validade até 2038. O acordo foi fechado em US$ 100 milhões (R$ 608 milhões) anuais.