Sexta-feira, 24 de maio de 2024

“Corrupção voltará a ser crime em nosso país”, diz Sérgio Moro nos 10 anos da Operação Lava-Jato

Deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2014 para investigar um esquema de corrupção na Petrobras, a Operação Lava-Jato completou dez anos no último domingo (17).

Um dos principais personagens da operação, o ex-juiz e atual senador Sérgio Moro afirmou que a “Lava-Jato vive em cada brasileiro que acredita na honestidade e no Brasil”.

“A Lava-Jato vive em cada brasileiro que acredita na honestidade e no Brasil. Os tempos sombrios passarão, e a corrupção voltará a ser um crime em nosso País. A verdade está do nosso lado”, declarou Moro nas redes sociais.

O ex-procurador da República Deltan Dallagnol também se manifestou sobre o aniversário da operação.

“São dez anos da Operação Lava-Jato: dez anos da operação que, pela primeira vez na história do Brasil, teve a coragem de colocar políticos corruptos na cadeia. Infelizmente, o STF preferiu retirá-los de lá, transformando o sonho de justiça em um mar de impunidade. Mas não devemos desistir do Brasil. Vamos, juntos, lutar para que os bandidos poderosos voltem para onde deveriam estar: atrás das grades”, afirmou o deputado federal cassado.

Críticas

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou a operação. “Na verdade, a Lava-Jato terminou como uma verdadeira organização criminosa. Ela se envolveu em uma série de abusos de autoridades, desvio de dinheiro, violação de uma série de princípios, e tudo isso é de todo lamentável”, declarou.

“Eu acho que a Lava-Jato fez um mal enorme às instituições. Bem inspirada, talvez, no início, ela acabou produzindo uma série de distorções no sistema jurídico político. Por isso, o meu balanço é marcadamente negativo. Mas é claro que nós aprendemos da história, inclusive dos fatos negativos na vida dos povos, na vida das nações. Então, alguém sempre poderá dizer algo positivo. Nós aprendemos como não fazer determinadas coisas. E, nesse sentido, se pode até extrair aspectos positivos. O que a gente aprendeu? Eu diria em uma frase: não se combate o crime cometendo crimes”, disse Mendes.

Operação

A Lava-Jato investigou crimes de corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa, obstrução da justiça, operação fraudulenta de câmbio e recebimento de vantagem indevida. Foi apontada como uma das causas da crise político-econômica de 2014 no País.

De acordo com investigações e delações premiadas, estavam envolvidos em corrupção membros administrativos da empresa estatal Petrobras, políticos dos maiores partidos do Brasil, incluindo presidentes da República, presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e governadores de estados, além de empresários de grandes empresas brasileiras.

A Polícia Federal considera-a a maior investigação de corrupção da história do País.

Ao longo de seus desdobramentos, entre outras pessoas relevantes que acabaram sendo presas pela operação, incluem-se o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e o seu sucessor Luiz Fernando Pezão, ainda durante o mandato, o ex-senador Delcídio do Amaral, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, os ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega, o publicitário João Santana, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o empresário Eike Batista e, em abril de 2018, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao final de dezembro de 2016, a Operação obteve um acordo de leniência com a empreiteira Odebrecht, que proporcionou o maior ressarcimento da história mundial, mas por outro lado causou graves danos à ordem econômica brasileira.

O acordo previu o depoimento de 78 executivos da empreiteira, gerando 83 inquéritos no STF, e de que o ministro do tribunal Edson Fachin retirou o sigilo em abril de 2017. Novas investigações surgiram no exterior a partir destes depoimentos em dezenas de países, dentre eles Cuba, El Salvador, Equador e Panamá. Em fevereiro de 2021, a operação de combate à corrupção terminou, após quase sete anos de ação.

Em março de 2024, uma pesquisa da Genial/Quaest realizada entre 25 e 27 de fevereiro do mesmo ano mostrou que 50% dos entrevistados acham que a operação “fez mais bem” ao país e 28% disseram que “fez mais mal”, questionados se a Lava-Jato ajudou a combater a corrupção, 49% disseram “sim” e 37% disseram “não”.

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