Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Da festa desmontada à fuga de Flávio: as últimas 48 horas após a derrota para Lula

Entre a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na noite de domingo (25), e os relatos de uma possível viagem aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou de reuniões políticas, conversou com advogados e foi intimado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em menos de 48 horas, o senador deixou de lado os planos de liderar a oposição ao governo Lula, interrompeu o contato com parte dos aliados e não cumpriu a determinação do ministro Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes à Polícia Federal.

A sequência de acontecimentos surpreendeu pessoas próximas ao parlamentar, que estiveram com ele antes da possível viagem. Na segunda (26), Flávio visitou o pai, Jair Bolsonaro, e recebeu a intimação da PF ao deixar o condomínio onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. Depois, reuniu-se com aliados e advogados, que esperavam receber os documentos na manhã seguinte.

Na terça (27), entretanto, o senador deixou de responder às mensagens e não compareceu ao encontro previsto com a defesa. O prazo judicial terminou às 11h sem a entrega dos passaportes. Durante o dia, aliados relataram informações de que Flávio estaria a caminho de Miami, nos Estados Unidos, com chegada prevista para as 16h30.

– Veja a linha do tempo das últimas 48 horas de Flávio Bolsonaro:

Domingo

Durante a apuração — Flávio acompanha a contagem dos votos em uma casa no Lago Sul, em Brasília, ao lado de familiares, amigos e integrantes da campanha. O ambiente é inicialmente de comemoração, com churrasco, música e manifestações de apoio quando o senador ultrapassa Lula na apuração.

22h40 — Após a confirmação da derrota, Flávio faz seu primeiro pronunciamento. Sem reconhecer explicitamente a vitória do adversário, anuncia que pretende contestar o resultado, mencionando questionamentos sobre uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF. Posteriormente, a campanha opta por pedir a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin, em vez de tentar anular a eleição.

Após o pronunciamento — O senador retorna para casa, em Brasília, com a intenção de descansar e permanecer recluso após o desgaste da campanha.

Perto da meia-noite — A estrutura montada na Esplanada dos Ministérios para uma eventual comemoração da vitória já estava praticamente desmontada. Restavam banheiros químicos nas proximidades do Museu Nacional.

Ainda no domingo — Segundo interlocutores, a possibilidade de Flávio deixar o Brasil chegou a ser discutida, mas foi inicialmente descartada. A ideia era que apenas sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e as filhas viajassem por questões de segurança.

Segunda

11h — Flávio visita Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Na saída, é abordado por agentes da Polícia Federal e intimado a entregar os passaportes por determinação de Alexandre de Moraes. A medida integra uma investigação sobre suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.

Durante a tarde, até as 16h — O parlamentar participa de reuniões com aliados, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o marqueteiro Duda Lima, o coordenador da campanha, Rogério Marinho, e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP). Também conversa com advogados, que orientam a entrega dos documentos na manhã seguinte.

16h40 — Flávio grava um vídeo em que agradece aos eleitores, afirma que nunca pensou em deixar o Brasil, promete entregar os passaportes e diz que assumirá a liderança da oposição. Nenhuma dessas medidas se concretiza naquele momento.

17h20 — O advogado Frederick Wassef, próximo à família Bolsonaro, chega à residência do senador.

18h — Wassef deixa o imóvel após aproximadamente 40 minutos.

19h57 — Fernanda Bolsonaro sai do condomínio onde mora com Flávio, acompanhada por um comboio de veículos. O senador não é visto nos automóveis.

Terça

8h — Flávio conversa com Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, mas não menciona planos de deixar o país. Antes disso, um aliado próximo da família havia falado com Fernanda, que afirmou estar ao lado do marido e indicou que ambos permaneciam em Brasília.

Até aproximadamente 8h50 — Mensagens enviadas pelo WhatsApp ao senador aparecem como entregues, com os dois sinais de confirmação do aplicativo.

Após as 8h50 — Novas mensagens deixam de apresentar confirmação de entrega. Aliados tentam telefonar, mas não conseguem contato. Os policiais legislativos responsáveis pela escolta também não conseguem falar com Flávio. A equipe havia deixado o senador em casa na segunda-feira e não recebeu sua agenda para terça, como de costume. Os agentes permanecem em Brasília.

11h — Termina o prazo determinado por Moraes para a entrega dos passaportes. Como os documentos não são apresentados, a PF cancela os passaportes e decide comunicar o descumprimento ao STF.

Ao longo do dia — Circulam entre integrantes do PL e pessoas próximas à família informações de que Flávio teria embarcado para os Estados Unidos. Aliados relatam surpresa e dificuldade de contato.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reúne parlamentares na sede do partido, em Brasília, para discutir a situação. Participam Rogério Marinho, o senador Efraim Filho e o deputado Hélio Lopes (PL-RJ). O encontro também aborda a disputa pela presidência do Senado em 2027.

Após a reunião, Marinho afirma que esperava que Flávio assumisse a liderança da oposição e lamenta a possível saída do país. (Com informações do jornal O Globo)

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