Domingo, 13 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 12 de setembro de 2026
Os diálogos encontrados pela Polícia Federal (PF) entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-servidor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza também revelam que o servidor tratava os pedidos do banqueiro como “prioridade absoluta”.
Em dezembro de 2023, por exemplo, Vorcaro pediu uma reunião com Paulo Sérgio para falar sobre a compra do Banco Voiter pelo Master. “O servidor demonstra evidente empolgação com o projeto do banqueiro, destacando que a questão seria ‘prioridade absoluta’”, diz o relatório da PF.
Na troca de mensagens, Paulo Sérgio diz que falar com Vorcaro não era “incômodo algum”. “Incômodo zero. Você já tem o desenho final da compra da IP?”, pergunta Paulo Sérgio.
“Quero te mostrar isso, o desenho do Voiter (banco) e um plano geral do Master incluindo BI”, responde o banqueiro.
“Maravilha. Isso é prioridade absoluta. Estarei aí amanhã”, completa o servidor do BC.
Em fevereiro de 2024, o Master comprou o banco Voiter e anunciou uma reorganização societária numa negociação envolvendo o antigo Banco Indusval. A compra adicionou R$ 800 milhões ao patrimônio líquido do Master e buscava reorganizar as atividades de atacado e varejo.
A defesa de Paulo Sérgio reclamou à PF do vazamento de informações do processo. “Desde que prestou depoimento à Polícia Federal no dia 10 de julho, Paulo Sérgio já havia peticionado nos autos, por duas vezes, ao ministro André Mendonça, criticando o vazamento parcial de trechos de conversas e relatórios e requerendo em ambas as vezes o levantamento do sigilo dos autos e, em especial, da integralidade de seu depoimento”, diz a defesa do servidor.
A defesa diz lamentar que “apenas estejam sendo destacados à imprensa trechos descontextualizados de conversas, sendo que, durante seu depoimento de mais de 4 horas à Polícia Federal, Paulo Sérgio esclareceu detalhadamente sua atuação rígida e rigorosa no caso, demonstrando que a interação do supervisionado com as equipes do Banco Central era cotidiana e natural, inserindo-se em contexto de supervisão”.
Ainda segundo a defesa, foi a partir da atividade de supervisão “que foi possível a identificação, apuração e formalização de indícios de irregularidades na instituição supervisionada”. E acrescenta que Paulo Sérgio foi quem identificou, junto com sua equipe, problemas graves no Master já em setembro de 2024.
“Mesmo tendo sido orientado a ‘jogar parado’ pelo diretor Ailton ( de Aquino) – o qual dizia que (Gabriel) Galipolo, ao tomar posse como presidente do BC, iria resolver a situação do Master”, continua a defesa do servidor, “Paulo Sérgio oficializou os achados da supervisão, apontando rombo da ordem de R$ 12 bilhões. O valor, inclusive, superava o apontado pelo Banco BTG em sua diligência”.
Já o advogado Leonardo Palazzi, que defende Belline Santana, ex-chefe de supervisão do BC, afirmou que, embora tenha sido afastado o sigilo dos procedimentos relacionados ao Banco Master, “permanece evidente uma exposição midiática (seletiva e fragmentada) dos elementos constantes das investigações, especialmente no que diz respeito às informações de Polícia Judiciária – as fatídicas IPJs produzidas pela Polícia Federal”.
Segundo ele, a repercussão parcial desses fatos acaba por desviar “o foco de relações e responsabilidades que, segundo os desdobramentos das investigações já conhecidos, alcançam outros níveis superiores, em diversas instâncias”.
A defesa de Bellini Santana, contudo, não dá detalhes sobre a referência aos níveis superiores, e lembra que o próprio Vorcaro, no depoimento prestado no mês passado, teria afirmado que não houve qualquer fato consistente no pagamento ou concessão de vantagem ilícita a Belline Santana. (Com informações de O Estado de S. Paulo)