Quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

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Depoimento de ex-barman da boate Kiss encerra o terceiro dia de julgamento dos réus pelo incêndio na casa noturna

Nesta sexta-feira (3), o depoimento do ex-barman Erico Paulus Garcia encerrou o terceiro dia de julgamento dos quatro réus no processo sobre o incêndio que matou 242 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, em janeiro de 2013. Ele trabalhou na casa noturna durante três anos e ajudou a colocar sobre o palco a espuma que pegou fogo, dando origem à tragédia.

Os trabalhos serão retomados às 9h deste sábado (4). Estão previstas as oitivas da testemunha Alexandre Marques (arrolado pela defesa de um dos sócios da Kiss) e da vítima Maike Ariel dos Santos (indicada pela acusação).

Emoção

Garcia, que hoje é policial da Brigada Militar (BM) reletou ter auxiliado ao menos 20 sobreviventes a chegarem até a porta de saída do local, para que fossem atendidos no hospital da cidade. Também quebrou paredes do estabelecimento e colaborou na retirada de corpos de vítimas, lembrança que o emocionou.

A testemunha detalhou, ainda, que o teto da boate possuía uma camada de gesso e de lã-de-vidro, exceto no palco: “Ajudei a colocar espuma nas laterais, no fundo e no teto, a mando do Kiko [um dos sócios da boate]. Inicialmente, os funcionários reutilizaram restos do material, mas como eram pedaços diferentes e o sócio não havia gostado do resultado, foram retiradas e colocada espuma nova, para possibilitar o isolamento acústico do ambiente.”

Sobre as barras de contenção, o ex-funcionário afirmou que foram instaladas na boate para organizar a saída do público. Garantiu, ainda, ter ouvido em conversas com seguranças sobreviventes que eles pensaram inicialmente se tratar o tumulto de uma briga e que, por isso, teriam tentado impedir a saída das pessoas que fugiam do que, na verdade, era um incêndio.

Em outro trecho, o ex-barman acrescentou que alguns meses antes da tragédia, o coproprietário Kiko pediu a Erico que retirasse da boate seis ou sete extintores, que ficaram “amontoados” na entrada da boate: “Eu acredito que não foram todos recolocados de volta nos seus lugares, pois dei falta de alguns”.

Outros depoimentos

À tarde, havia sido ouvida a testemunha Pedrinho Antônio Bortoluzzi, que atuava em serviços de construção e que discorreu sobre sobre a conduta de um dos músicos que está no banco dos réus, por ter acendido o sinalizador que deu origem às chamas na madrugada de 27 de janeiro de 2013. Também aposentado da magistratura, ele elogiou a conduta pessoal e profissional do acusado.

Antes, pela manhã, prestou depoimento o proprietário de uma loja de artefatos pirotécnicos e o funcionário de uma empresa de extintores de incêndio. Ambos compareceram por solicitação do Ministério Público (MP), responsável pela acusação.

Resumo da tragédia

O incêndio da Boate Kiss aconteceu na madrugada de 27 de janeiro de 2013, na cidade de Santa Maria (Região Centeal do Estado). De acordo com o processo, a tragédia foi provocada pela imprudência dos integrantes da banda em usar artefato pirotécnico dentro de um ambiente fechado e pelo fato de haver aglomeração de público além da capacidade prevista no local.

As chamas se alastraram rapidamente por causa do material inflamável usado como isolamento acústico que produziu uma fumaça preta e tóxica. A boate estava lotada, e não havia saída de emergência. No total, morreram 242 jovens entre 18 e 30 anos (a maioria por asfixia), e 636 ficaram feridos.

São réus pelas mortes os sócios da boate Kiss Elissandro Callegaro Spohr, 38 anos, e Mauro Londero Hoffmann,  56, além do músico Marcelo de Jesus dos Santos, 41, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, e do produtor e auxiliar de palco Luciano Bonilha Leão, 44.

Com base nos inquéritos da Polícia Civil e Brigada Militar, eles foram denunciados pelo Ministério Público por 242 homicídios consumados com dolo eventual (quando se assume o risco de matar) e 636 tentativas de homicídio.

Desde o início de processo, um total de quase 50 pessoas (incluindo bombeiros e pessoas com ligação à boate) também foi acusado de crimes como falsidade ideológica, fraude processual, falso testemunho, negligência e prevaricação e improbidade administrativa.

Julgamento

O Tribunal do Júri será composto pelo Conselho de Sentença, formado pelo juiz Orlando Faccini Neto, titular do 2º Juizado da 1ª Vara do Júri da Comarca de Porto Alegre, e por sete jurados escolhidos por sorteio.

Nos depoimentos, serão ouvidas 14 vítimas, indicadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), assistente de acusação de Elissandro Spohr, mais cinco testemunhas de acusação arroladas pela Promotoria e outras cinco pela defesa de Elissandro, além de cinco pela defesa de Mauro e cinco de Marcelo.

(Marcello Campos)

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