Sábado, 24 de outubro de 2026

Disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro em torno de canal de WhatsApp expõe divisão na Justiça Eleitoral

A decisão do ministro Floriano de Azevedo Marques de impedir a suspensão do canal de WhatsApp “Exército de Lula” inclui recados importantes ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. O mais eloquente é que, se o presidente quiser derrubar o canal às vésperas do segundo turno, vai enfrentar oposição interna e pressão para que a decisão seja revertida antes deste domingo (25).

Floriano Marques impediu, em seu despacho, que Nunes Marques suspenda o canal sem o aval do plenário do TSE. A última frase da decisão dessa sexta-feira (23), resume o ânimo de boa parte dos ministros do TSE: “Longe de caracterizar censura à condução desta Presidência, a presente tutela se presta a reforçar sua atuação e a confiança nela depositada”.

A briga entre das campanhas presidenciais em torno do funcionamento do canal gerido pelo deputado André Janones reflete também a disputa interna no TSE. Logo após o primeiro turno, Nunes Marques concedeu liminar suspendendo o canal. Atropelou o ministro Villas Bôas Cueva, que é o relator de uma ação sobre o assunto. Depois da decisão do presidente do tribunal, Cueva restabeleceu o funcionamento do “Exército do Lula”.

Na quinta-feira (22), Nunes Marques pediu um relatório detalhado à Meta sobre o funcionamento do canal de Janones, atendendo a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Ao Estadão, disse que decidiria suspender ou não a ferramenta somente após ler o documento e verificar se estavam sendo cumpridas as normas fixadas pela Justiça Eleitoral.

No TSE, havia expectativa que Nunes Marques derrubasse o canal novamente. Antes que o presidente tomasse qualquer decisão, Floriano Marques julgou um pedido de Luiz Inácio Lula da Silva e trucou o colega. Agora, se decidir de forma oposta, o presidente encontrará resistência não apenas de Floriano Marques, mas de outros integrantes do tribunal.

Uma ala de ministros da Corte avalia que Nunes Marques tem tomado decisões que interferem nas campanhas de forma excessiva. O primeiro aviso ao grupo do presidente foi dado quando colegas trouxeram a público uma minuta redigida por André Mendonça com a intenção de impedir o funcionamento de canais de WhatsApp 48 horas antes do segundo turno.

Diante da divulgação da proposta, o presidente declarou que seria contrário a ela – mesmo porque não haveria votos suficientes em plenário para aprovar a resolução em eventual votação. Diante do cenário, Nunes Marques decidiu não pautar a discussão e evitar mais esse desgaste interno. (Análise por Carolina Brígido, de O Estado de S. Paulo)

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