Quinta-feira, 30 de julho de 2026

Dois minutos de quebra-cabeça por dia podem melhorar a saúde do cérebro

Um estudo britânico mostrou que pessoas que se dedicam regularmente a quebra-cabeças, como palavras cruzadas e Sudoku, mantêm níveis de função cognitiva semelhantes aos de indivíduos até oito anos mais jovens.

Realizado com mais de 19 mil pessoas com mais de 50 anos, o estudo Protect, da Universidade de Exeter, integra uma série de pesquisas que investigam os possíveis benefícios dos passatempos para a saúde cerebral. As informações são do jornal britânico The Telegraph.

Outro trabalho, conduzido por neurocientistas nos Estados Unidos, também sugeriu que a prática frequente de quebra-cabeças pode retardar em vários anos o aparecimento de sintomas associados a doenças neurodegenerativas.

Matthew Kiernan, diretor executivo da Neuroscience Research Australia, explica por que esse tipo de atividade pode beneficiar o cérebro.

“Células que disparam juntas se conectam. Portanto, quanto mais você estimular seus neurônios, melhor”, afirma.

Esses passatempos estimulam o cérebro intelectualmente e favorecem a formação e o fortalecimento de conexões entre os neurônios. Eles também podem ajudar a construir a chamada reserva cognitiva, uma espécie de rede de conexões que permite ao cérebro transmitir e processar informações por diferentes caminhos.

E não é necessário dedicar muito tempo à atividade. Segundo Kiernan, até dois minutos diários de quebra-cabeças podem produzir efeitos significativos quando a prática é mantida ao longo dos anos.

“Pode ser no começo do dia, durante o café da manhã, ou deitado na cama à noite. Não importa muito”, diz.

Envelhecimento mais lento

Frequentar cinemas, museus, galerias, teatros, concertos e óperas com maior regularidade pode estar associado a um envelhecimento fisiológico ligeiramente mais lento, segundo um estudo com quase 1,9 mil adultos da Inglaterra.

A pesquisa encontrou uma redução média de aproximadamente um mês na idade estimada do organismo para cada ponto adicional em uma escala de participação cultural. O resultado permaneceu após os pesquisadores considerarem fatores como renda, estado de saúde, atividade física, tabagismo e condições socioeconômicas.

Publicado no Journal of Epidemiology and Community Health, o trabalho utilizou dados do English Longitudinal Study of Ageing, levantamento que acompanha pessoas com 50 anos ou mais que vivem na Inglaterra.

Como o estudo foi feito?

Foram analisadas 1899 pessoas — a maioria mulheres — com idade de, em média, 70 anos. O envolvimento cultural foi medido pela frequência com que cada pessoa ia ao cinema, a museus — ou galerias de arte — e ao teatro — ou concerto ou ópera.

As respostas foram transformadas em uma escala de zero a 15 pontos. Quanto maior a pontuação, mais frequente era a participação nessas atividades.

A idade fisiológica, também conhecida como biológica, foi calculada com base em dez indicadores de saúde. Entre eles estavam pressão arterial, capacidade respiratória, colesterol, índice de massa corporal, força de preensão com as mãos e velocidade de caminhada.

Usando uma análise que comparava cada participante consigo mesmo, os pesquisadores descobriram que, quanto mais uma pessoa participava de algum evento cultural, mais o seu envelhecimento biológico diminuía de velocidade.

Na comparação simples entre os grupos, as pessoas que participavam de atividades culturais a cada poucos meses ou com maior frequência apresentavam idade fisiológica média de 66,9 anos. Entre as que participavam duas vezes por ano ou menos, a média era de 69,9 anos.

Possíveis razões

Para os pesquisadores, a participação em eventos culturais fortalece laços sociais, além de “encaminhar” pessoas para hábitos mais saudáveis, uma vez que elas tendem a praticar mais esportes e comer melhor.

O estresse também parece estar ligado à participação cultural: quem mais participa relata menos estresse. E o estresse psicológico crônico está ligado ao envelhecimento corporal mais rápido.

No entanto, os cientistas apontam que é possível que pessoas mais saudáveis e com maior mobilidade tenham mais facilidade para frequentar cinemas, museus e outros espaços culturais.

Os autores afirmam que novos estudos, especialmente experimentos que estimulem a participação cultural, são necessários para verificar se há uma relação de causa e efeito.

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