Quarta-feira, 02 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de setembro de 2026
O relatório da Polícia Federal (PF) sobre as provas colhidas durante a investigação do escândalo envolvendo o Banco Master aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro trocou mensagens, segundo os investigadores, com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a respeito de diferentes assuntos. Os registros foram identificados a partir da análise do conteúdo encontrado no celular do banqueiro.
Em uma das conversas localizadas pela PF, Vorcaro teria tratado com Moraes sobre a possibilidade de sua prisão, que, segundo os investigadores, seria determinada pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. O diálogo ocorreu antes da prisão do banqueiro, conforme o material reunido pela Polícia Federal.
Vorcaro, que seria preso na segunda-feira seguinte ao registro das mensagens, segundo os investigadores, mencionou o juiz responsável pela ordem de prisão e fez questionamentos a Moraes. Entre eles, perguntou se “Galipolo tá sabendo”, se “conseguimos fazer algo” e, por fim, se o ministro “acha que segunda já tenho que estar fora?”.
As mensagens foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente confirmadas pelo Radar, da revista Veja. Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, uma segunda-feira, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Malta e, posteriormente, a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com as informações da investigação, o banqueiro buscava concretizar a venda do Banco Master. Para os investigadores, a viagem também teria como objetivo deixar o País.
Segundo a PF, Vorcaro utilizava um método específico para se comunicar com Moraes por meio do WhatsApp. Conforme o relatório, o banqueiro escrevia as mensagens inicialmente no bloco de notas do celular, fazia uma captura de tela e, em seguida, enviava o conteúdo ao ministro por meio do recurso de visualização única do aplicativo.
Ainda de acordo com os investigadores, Moraes visualizava as mensagens e respondia, mas os registros da conversa foram posteriormente apagados. Por esse motivo, segundo a PF, permaneceram disponíveis para análise principalmente as anotações feitas por Vorcaro no próprio celular antes de serem encaminhadas ao magistrado.
“O próximo passo foi identificar os usuários atribuídos aos respectivos terminais telefônicos citados. Em pesquisa nos dados extraídos do aparelho celular de DANIEL BUENO VORCARO, foi possível esclarecer que o terminal está atribuído ao contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, diz a PF.
“Ou seja, os dados do sistema apontam que, segundos após dar um screenshot das notas, DANIEL VORCARO envia uma mensagem de WhatsApp a “Alexandre de Moraes BRASILIA”, segue a PF. (Com informações do portal da revista Veja)