Quinta-feira, 30 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 29 de julho de 2026
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que concorda com as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, direcionadas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As manifestações foram feitas durante entrevista concedida ao jornal argentino La Nación, publicada na noite da última terça-feira (28).
Na conversa com o veículo, Eduardo avaliou que Milei foi “muito educado” e “suave” ao comentar tanto sobre Lula quanto sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o ex-deputado, o presidente argentino teria adotado um tom moderado ao abordar os dois brasileiros.
As declarações de Milei ocorreram no sábado (25), durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo Bolsonaro, à Presidência da República. Em seu discurso, o presidente argentino se referiu a Lula como “presidiário” e chamou Alexandre de Moraes de “lixo careca”.
As falas provocaram repercussão imediata e contribuíram para o aumento da tensão diplomática entre Brasil e Argentina. O episódio mobilizou integrantes do governo federal, ministros do Supremo Tribunal Federal e representantes da diplomacia brasileira. Como consequência, o embaixador argentino foi convocado pelo governo brasileiro para prestar esclarecimentos sobre as declarações feitas por Milei em território nacional.
Durante a entrevista ao La Nación, Eduardo Bolsonaro também rejeitou a interpretação de que a participação do presidente argentino na convenção do PL possa ser considerada uma forma de interferência no processo eleitoral brasileiro. Na avaliação do ex-deputado, a presença de Milei no evento partidário não caracteriza qualquer irregularidade.
Ao defender esse entendimento, Eduardo afirmou, sem apresentar provas, que o Partido dos Trabalhadores (PT) teria atuado em favor da candidatura do então ministro da Economia Sergio Massa durante a eleição presidencial argentina de 2023. Segundo ele, esse suposto apoio representaria a verdadeira interferência externa nas eleições do país vizinho.
O ex-parlamentar também comentou o cenário da disputa presidencial brasileira. Ele afirmou acreditar que Flávio Bolsonaro derrotará Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas e argumentou que a estratégia adotada pelo petista nas eleições anteriores perdeu força. Segundo Eduardo, o discurso que associava Jair Bolsonaro às mortes provocadas pela pandemia de covid-19 já não teria o mesmo impacto junto ao eleitorado.
Na avaliação do ex-deputado, fatores como a inflação e o aumento da criminalidade deverão influenciar o debate eleitoral e poderão prejudicar o desempenho do atual governo durante a campanha.
Eduardo Bolsonaro ainda voltou a fazer críticas ao presidente Lula. Na entrevista, afirmou que o petista mantém proximidade com organizações criminosas e declarou que Lula teria realizado lobby em Washington em favor do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC). Também atribuiu ao senador Flávio Bolsonaro uma articulação junto ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que, segundo ele, teria contribuído para que as duas facções fossem classificadas como organizações terroristas pelo governo norte-americano. (Com informações de O Estado de S. Paulo)