Quinta-feira, 09 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de julho de 2026
O El Niño ganhou força no último mês e tem agora 81% de chance de atingir a categoria de “muito forte” entre outubro e dezembro, segundo nova projeção divulgada nesta quinta-feira (9) pelo CPC (Centro de Previsão Climática) dos Estados Unidos, vinculado à agência oceânica e atmosférica norte-americana (NOAA).
Caso a previsão se confirme, o episódio pode entrar para a lista dos maiores El Niños desde o início dos registros modernos, em 1950. A atualização marca uma mudança importante em relação aos boletins anteriores. Em maio, a NOAA ainda indicava uma alta probabilidade de formação do fenômeno, mas havia incerteza sobre a intensidade que ele poderia atingir.
Agora, o cenário mudou: o El Niño já está estabelecido, o aquecimento do Oceano Pacífico avançou e a interação entre oceano e atmosfera —considerada essencial para eventos mais intensos— ficou mais evidente. Segundo a NOAA, há 97% de chance de o fenômeno continuar até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte (outono no Brasil).
Atmosfera já responde ao El Niño
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e muda os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta.
No último boletim, a NOAA informou que uma grande área do Pacífico central e leste já apresenta temperaturas mais de 1°C acima da média. O índice Niño-3.4, principal referência usada para acompanhar o fenômeno, chegou a +1,2°C na última medição semanal. Em maio, esse mesmo indicador estava em +0,4°C, ainda dentro de um cenário de neutralidade.
Outras regiões do Pacífico também mostram avanço do aquecimento:
Niño-4, mais a oeste: +0,5°C;
Niño-1+2, próximo à costa da América do Sul: +2,7°C.
Além da temperatura da superfície, os cientistas acompanham o calor acumulado abaixo da água. Esse indicador também aumentou, impulsionado por uma onda Kelvin —movimento de água quente que se desloca pelo Pacífico e pode favorecer o fortalecimento do El Niño.
Por que este El Niño pode ser diferente
A intensidade do El Niño não depende apenas da temperatura do oceano. Para que os episódios mais fortes aconteçam, é preciso que exista um “acoplamento” entre oceano e atmosfera.
Isso significa que o aquecimento das águas precisa provocar mudanças consistentes nos ventos, nas áreas de chuva e na circulação atmosférica. Segundo a NOAA, esses sinais apareceram de forma mais clara nas últimas semanas: houve mudanças nos ventos em diferentes níveis da atmosfera, aumento das chuvas sobre o Pacífico central e redução da formação de nuvens sobre a Indonésia.
Esse conjunto de fatores levou os especialistas da agência americana a concluir que o sistema oceano-atmosfera reflete um El Niño em fortalecimento. Os modelos climáticos indicam que o fenômeno deve continuar ganhando intensidade ao longo de 2026.