Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de setembro de 2026
O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou impugnações contra 23 candidaturas em seis Estados por suspeitas de vínculos com organizações criminosas. Os casos envolvem candidatos do Rio de Janeiro, Paraíba, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Amapá e Bahia.
O Rio de Janeiro concentra a maior parte dos pedidos, com 13 impugnações. Na sequência aparecem Paraíba, com quatro casos; São Paulo e Mato Grosso do Sul, com dois cada; e Amapá e Bahia, com uma candidatura questionada cada.
As ações têm como base um entendimento adotado pela Justiça Eleitoral que permite questionar registros de candidatos apontados como ligados a organizações criminosas, inclusive em situações nas quais ainda não existe condenação criminal definitiva.
A medida passou a ser utilizada pelo Ministério Público Eleitoral para contestar candidaturas de pessoas que, segundo as investigações apresentadas nos processos, teriam algum tipo de relação com grupos criminosos ou estruturas utilizadas para práticas ilegais.
Entre as acusações descritas nas ações estão suspeitas de compra de votos e de utilização de estruturas públicas em benefício de pessoas ligadas a organizações criminosas. Os casos, porém, dependem da análise individual da Justiça Eleitoral.
As impugnações não significam, automaticamente, que os candidatos estejam impedidos definitivamente de disputar as eleições. Cabe aos Tribunais Regionais Eleitorais analisar os pedidos e decidir se os registros serão deferidos ou rejeitados. As decisões também podem ser contestadas por meio de recursos.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o Tribunal Regional Eleitoral já analisou casos envolvendo candidatos acusados pelo Ministério Público de manter vínculos com organizações criminosas. Em uma das ações, o tribunal rejeitou a impugnação por considerar insuficientes as provas apresentadas para impedir o registro.
Em São Paulo, um dos casos envolve o ex-prefeito de Embu das Artes Ney Santos, candidato pelo Republicanos. Ele já foi alvo de investigações relacionadas a uma possível ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A situação eleitoral do candidato depende da análise da Justiça Eleitoral.
A atuação do Ministério Público ocorre em um momento de ampliação da atenção da Justiça Eleitoral sobre a influência de organizações criminosas no processo eleitoral. O objetivo das ações é impedir que estruturas de grupos criminosos sejam utilizadas para financiar campanhas, influenciar eleitores ou ocupar espaços na administração pública.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza o sistema DivulgaCandContas, no qual são reunidas informações sobre pedidos de registro de candidatura, partidos e contas eleitorais. Os registros e decisões dos tribunais eleitorais podem ser consultados pelos eleitores.