Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de outubro de 2026
O número de eleitores brasileiros com mais de 70 anos cresceu 15,75% entre as eleições de 2022 e 2026, alcançando quase 17 milhões de pessoas aptas a votar. O avanço reforça a presença dos idosos no eleitorado e amplia a importância desse grupo nas estratégias das campanhas políticas, especialmente na disputa presidencial do segundo turno.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o país tem aproximadamente 158,7 milhões de eleitores habilitados a participar das eleições de 2026. Nesse universo, as pessoas com mais de 70 anos representam mais de um em cada dez eleitores. O crescimento desse segmento ocorre em um contexto de envelhecimento da população brasileira e de mudanças na composição demográfica do país.
O voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos, assim como para analfabetos e jovens de 16 e 17 anos. Isso significa que os eleitores idosos podem decidir se participarão ou não da votação, sem sofrer as consequências previstas para quem tem a obrigação legal de votar e deixa de comparecer injustificadamente.
A evolução desse grupo chama a atenção porque o crescimento foi superior ao registrado pelo eleitorado em geral. Entre 2010 e 2026, o número total de eleitores brasileiros aumentou aproximadamente 15%, enquanto a quantidade de pessoas com 60 anos ou mais aptas a votar avançou 74%, segundo levantamento divulgado pela Nexus/FSB.
Os números mostram que o envelhecimento da população também se reflete nas urnas. O aumento da expectativa de vida e as mudanças na estrutura etária brasileira ampliam a participação relativa das faixas mais velhas entre os cidadãos habilitados a votar.
Embora os eleitores com mais de 70 anos não sejam obrigados a comparecer às urnas, a dimensão desse contingente faz com que ele seja considerado pelas campanhas. A participação efetiva, porém, depende da decisão individual de cada eleitor, e o tamanho do grupo não significa que todos tenham a mesma orientação política ou as mesmas prioridades.
Temas relacionados à saúde pública, à previdência, à assistência social, à renda e ao custo de vida podem integrar as preocupações desse público, assim como questões de segurança, educação e economia. As prioridades, entretanto, variam conforme a situação de cada pessoa, a região onde vive e suas condições familiares e profissionais.
O aumento do eleitorado mais velho também ocorre em paralelo à redução da participação relativa de algumas faixas etárias mais jovens. Nas eleições de 2026, o grupo de 21 a 34 anos reúne aproximadamente 41 milhões de pessoas, ante cerca de 43,8 milhões em 2022. A participação dessa faixa no total de eleitores caiu de 28,01% para 25,85%.
Já a faixa entre 40 e 44 anos concentra o maior contingente individual do eleitorado, com quase 16 milhões de pessoas. Em seguida aparecem os grupos de 45 a 49 anos e de 35 a 39 anos, segundo os dados oficiais.
O movimento demográfico representa um desafio para os partidos e candidatos, que precisam considerar as características de diferentes segmentos da população na elaboração de propostas e na comunicação eleitoral. No caso dos idosos, também é necessário levar em conta questões de acessibilidade, mobilidade e acesso à informação, sem presumir que todos tenham as mesmas necessidades.