Segunda-feira, 04 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de janeiro de 2024
O Brasil ultrapassou pela primeira vez, em 2023, a marca de US$ 100 bilhões em valores exportados à China, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Midc). Foram US$ 105,7 bilhões em vendas ao país asiático no ano passado, alta de 16,5% em relação a 2022.
Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Midc, Herlon Brandão, o resultado foi ajudado pelas exportações de minério de ferro, que surpreenderam – a China continuou demandando a commodity, mesmo como a economia apresentando um ritmo mais fraco.
Em 2023, o valor total das exportações do minério e seus concentrados cresceu 5,5%, puxado pela alta de volume vendido, de 10%, compensando recuo de 4,1% nos preços.
Brandão ressaltou também o crescimento das exportações de minério para a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), equivalentes a 7,2% das vendas ao exterior em 2023 – mais do que ao Mercosul, que responde por 6,9% das exportações.
Expectativa
A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, destacou que a previsão de novo recorde de exportações em 2024 é feita mesmo num cenário externo mais desafiador para a economia global. Segundo ela, apesar de haver uma “interrogação” em relação aos preços, a expectativa é de que o recorde seja alcançado especialmente em razão do aumento de volume exportado.
“A estimativa de aumento de exportações está relacionada, sobretudo, ao aumento de quantidade exportada”, disse ela.
Brandão disse que o cenário internacional faz com que a equipe acredite que as exportações em 2024 continuarão a ser favorecidas pelos volumes vendidos.
A previsão do Ministério é de que, neste ano, a balança alcance novo recorde de vendas ao exterior, com valor de US$ 348,2 bilhões, ante US$ 339,7 bilhões registrado no ano passado.
Mesmo com o avanço de 2,5%, a expectativa é de que o saldo da balança comercial recue 4,5% em relação a 2023, em razão do aumento das importações esperado para este ano. Em 2023, as compras fecharam em US$ 240,8 bilhões, e a projeção é de que esse número avance para US$ 253,8 bilhões em 2024 – alta de 5,4%.
Os técnicos do Mdic explicaram que o impulso esperado para as importações se deve especialmente ao aumento da atividade econômica brasileira registrado no ano passado, o que impulsiona as compras na balança comercial, assim como o nível do câmbio. “Em 2023, tivemos redução expressiva de importações e há mudança nesse cenário em 2024”, observou também Tatiana.
Já em relação às exportações, influenciadas pela demanda externa e preços, Brandão aponta que o País atingiu uma marca já muito alta em 2023, com destaque para o dado de dezembro, que também foi recorde para o mês (US$ 28,839 bilhões). No ano, o volume de exportação também foi o maior da série histórica.
“A exportação em dezembro ficou muito acima, isso influencia a série para frente. Mas a tendência se mantém em crescimento. E o cenário internacional nos leva a acreditar que será o volume que continuará puxando a exportação”, disse Brandão.