Quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de agosto de 2026
Uma única pessoa sofreu um golpe estimado em R$ 37 milhões após investir em uma falsa plataforma de investimentos no Rio Grande do Sul. Nesta quinta-feira (13), a Polícia Civil deflagrou uma operação contra os suspeitos do crime, conhecido como “Golpe do Abate dos Porcos”.
Ao todo, são cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo. Até o momento, duas pessoas foram presas.
Segundo a polícia, o golpe é aplicado por meio da criação de uma relação de confiança com as vítimas, que são convencidas a realizar investimentos sob a falsa expectativa de obter lucros. Nesta prática, os criminosos prolongam o contato com as vítimas visando aumentar cada vez mais o aporte de investimentos na plataforma.
A vítima que denunciou o esquema, e que teve prejuízo de R$ 37 milhões, foi inserida em um grupo de mensagens que simulava uma comunidade de estudos sobre o mercado financeiro. No espaço, havia supostos assistentes e outros participantes que reforçavam a aparência de legitimidade e segurança da plataforma.
Ao tentar retirar dinheiro da rede, no entanto, a vítima tinha os saques bloqueados. A partir desse momento, a pessoa afetada se deparava com supostas taxas e impostos que seriam necessários para conseguir acessar o patrimônio. Ao menos 140 potenciais vítimas estiveram expostas ao golpe financeiro.
Segundo a investigação, os investigados apresentavam análises de mercado com resultados positivos e supostos especialistas do setor para dar credibilidade ao esquema.
O golpe era estruturado e contava com uma divisão de tarefas, desde a captação das vítimas até o convencimento para novos aportes e o posterior bloqueio das operações financeiras.
Agentes de instituições como facilitadores do crime
Os criminosos utilizavam “laranjas” para abrir empresas e contas bancárias para aplicar as fraudes. As pessoas forneciam informações pessoais que possibilitavam a formalização do falso negócio e o acesso a aparelhos, senhas e credenciais necessários para a movimentação financeira.
Ou seja, grandes volumes de dinheiro obtidos pela ação criminosa circulavam por empresas que eram formalmente registradas em nome de pessoas que não necessariamente fazia parte das operações.
Uma das frentes de investigações é a participação de agentes de instituições financeiras na organização para a facilitação ao acesso de contas bancárias. Uma profissional já é investigada após a apuração localizar acessos internos compatíveis com os utilizados pelo grupo criminoso.
Sobre a vítima que perdeu R$ 37 milhões, por exemplo, das 25 empresas as quais ela realizou aporte, 24 delas possuíam contas em uma mesma instituição financeira.