Quarta-feira, 22 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de abril de 2026
Anúncios de testes genéticos que prometem indicar a dieta ideal, o melhor treino ou até prever o risco de doenças têm se popularizado na internet. A proposta é analisar o DNA para orientar decisões de saúde e bem-estar. Apesar dos avanços da genética, especialistas alertam para limitações e riscos desses exames, sobretudo os vendidos diretamente ao consumidor.
Hoje, há testes capazes de predizer riscos, confirmar diagnósticos e orientar tratamentos. No entanto, a expansão de exames comercializados com marketing agressivo levanta dúvidas sobre quem deve realizá-los, quais são confiáveis e qual a real utilidade dos resultados.
Os testes genéticos não são todos iguais. Existem milhares de variações, conforme o gene analisado, o objetivo e a técnica utilizada. A principal diferença está entre os exames clínicos, feitos em laboratórios especializados, e os testes vendidos diretamente ao público, que prometem desde informações sobre ancestralidade até dados sobre metabolismo, desempenho esportivo e risco de doenças.
Os testes clínicos são validados cientificamente e podem confirmar doenças genéticas, como síndrome de Down e fibrose cística, além de identificar mutações hereditárias e orientar tratamentos, inclusive no câncer. Já os exames vendidos ao consumidor, geralmente feitos com saliva em casa, têm utilidade clínica questionada e podem gerar interpretações equivocadas.
Segundo especialistas, a diferença central está na profundidade da análise. Testes clínicos avaliam todo o gene, enquanto os mais simples analisam apenas alguns pontos. Isso pode levar a conclusões imprecisas, gerando tanto falsa segurança quanto alarmes desnecessários.
Há casos de pessoas que cogitam medidas drásticas com base nesses exames. O risco, alertam médicos, é interpretar resultados sem acompanhamento adequado. Um resultado negativo pode dar sensação de proteção indevida, enquanto um positivo pode causar ansiedade e levar a intervenções desnecessárias.
Estudos também apontam falhas na tecnologia usada em testes comerciais, especialmente na detecção de mutações raras. Pesquisas indicam alta taxa de falsos positivos nesses casos, reforçando a necessidade de avaliação médica e exames mais completos para confirmação.
(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)