Quinta-feira, 04 de junho de 2026

Em carta aberta a Putin, presidente da Ucrânia propõe encontro presencial

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, propôs nesta quinta-feira (4) um encontro presencial com Vladimir Putin em uma rara carta aberta ao líder russo, afirmando também estar pronto para um “cessar-fogo total”.

“A Ucrânia propõe o fim desta guerra por meio de um diálogo direto entre nós e você. Proponho um encontro”, disse Zelensky na carta. “A Ucrânia está pronta para um cessar-fogo total durante o período de negociações”.

Em declarações a um grupo de jornalistas estrangeiros em sua cidade natal, Putin afirmou nesta quinta-feira estar sempre disposto a negociar com Kiev uma saída para a guerra, com base no que foi discutido “durante o encontro com o presidente [americano Donald] Trump” em Anchorage, em agosto de 2025.

Moscou exige de Kiev concessões políticas e territoriais, em particular uma retirada completa da região de Donetsk, que faz parte do Donbass. O governo ucraniano se recusa a aceitar essas condições por considerá-las uma capitulação.

Um acordo não excluiria, segundo Putin, que Moscou controle completamente o Donbass, bacia mineradora no leste da Ucrânia que atualmente está parcialmente sob controle russo.  “Uma coisa não exclui a outra”, afirmou aos jornalistas.

O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira que “nenhuma das duas partes esteve disposta a fazer as concessões necessárias para restabelecer a paz, particularmente do lado russo”.

Donald Trump voltou à Casa Branca afirmando que encerraria a guerra rapidamente, mas desde a eclosão de um conflito no Oriente Médio após um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, passou a ter outra frente de crise aberta.

“Está claro que a administração americana se vê obrigada a concentrar sua atenção nesse assunto e a tratá-lo antes de qualquer outro”, avaliou Putin nesta quinta-feira. No terreno, os combates continuam. O líder russo assegurou que as tropas de Moscou avançam “em toda a linha de frente”.

Uma análise da AFP dos dados do ISW (Instituto para o Estudo da Guerra) mostra, no entanto, que a Ucrânia recuperou dos russos cerca de 282 km² em maio, reduzindo pelo segundo mês consecutivo a área de seu território controlada por Moscou.

Do fim de 2023 até alguns meses atrás, os russos vinham ganhando terreno. Ainda assim, apesar do recuo das Forças russas, há militares russos infiltrados na maioria das áreas onde a Ucrânia recuperou território.

Mediação americana

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, compareceu esta semana diante de quatro diferentes comissões parlamentares para discutir o papel de Washington em vários conflitos ao redor do mundo, mas o tema da guerra na Ucrânia mal foi mencionado. Com o governo do presidente Donald Trump consumido pela crise no Irã, a Ucrânia saiu em grande parte do radar da administração americana, apesar do aumento dos ataques letais contra o país.

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