Sábado, 05 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de setembro de 2026
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF), realizado em 28 de agosto, que “o Banco Central como um todo” mantinha uma “postura de concordância e incentivo à conclusão da fusão” entre o Master e o BRB, banco público de Brasília. Segundo o ex-banqueiro, a posição favorável à operação não estaria restrita a integrantes específicos da autoridade monetária, mas seria compartilhada pela cúpula do órgão.
De acordo com Vorcaro, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, também era favorável à operação que previa a união entre as duas instituições. A declaração foi dada durante o depoimento prestado à PF, no qual o ex-controlador foi questionado sobre a posição de integrantes do BC em relação às tratativas envolvendo o negócio.
Questionado especificamente sobre qual seria a posição do servidor do BC Paulo Sérgio Neves de Souza em relação ao tema, Vorcaro respondeu que toda a cúpula da autoridade monetária se mostrava favorável à fusão entre o Master e o BRB no fim de 2025. O ex-banqueiro afirmou que essa postura teria sido demonstrada ao longo das discussões e reuniões relacionadas à operação.
“Eu sei qual era a postura do Banco Central como um todo. Não somente do Paulo Sérgio, como do diretor Ailton, como do próprio presidente Galípolo. A todo momento, era uma postura de concordância e incentivo à conclusão da fusão”, disse ele ao delegado Albert Paulo Sérvio de Moura.
Vorcaro também relatou como, segundo sua versão, ocorreram as tratativas após a formalização do pedido relacionado à operação. “E, depois que a gente faz o pedido e o pleito ali, todas as reuniões de que a gente participou sempre eram no sentido de organizar, de solucionar alguns pontos do pleito para que pudesse ser aprovado (a fusão)”, complementou.
Apesar das declarações de Vorcaro sobre a posição do Banco Central, a fusão entre o Master e o BRB acabou sendo rejeitada pela autoridade monetária em 3 de setembro, após meses de discussões em torno da operação. A decisão ocorreu depois de um período de tratativas entre as instituições e de análise do negócio pelo BC.
Mesmo sem a efetivação da venda, o BRB chegou a comprar carteiras de “créditos podres” do Master por R$ 12 bilhões. O montante posteriormente teve de ser reconhecido como prejuízo pelo banco público, que passou a enfrentar dificuldades financeiras em decorrência da situação.
A oitiva obtida pelo Metrópoles foi realizada em 28 de agosto de 2026. Vorcaro prestou o depoimento por videoconferência da Papudinha, onde está preso no âmbito da Operação Compliance Zero. Durante a oitiva, ele estava acompanhado dos advogados Sérgio Leonardo, Daniel Bialski e Thiago Machado. (Com informações do portal Metrópoles)