Sábado, 05 de setembro de 2026

Por que Vorcaro precisou depor praticamente escondido sobre supostas ameaças da Polícia Federal

Ao pedir para ser ouvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que estava “extremamente temeroso em revelar certos fatos” e manifestou preocupação com a própria segurança e a de seus familiares. A declaração foi apresentada no contexto do pedido para que ele pudesse prestar esclarecimentos diretamente ao tribunal sobre situações que, segundo sua defesa, não haviam sido detalhadas anteriormente.

O advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, afirmou que o banqueiro não quis relatar nem mesmo a ele quais seriam essas situações e que havia decidido falar sobre os episódios somente diante do ministro André Mendonça, do STF. Segundo a defesa, a opção de manter silêncio sobre os fatos estaria relacionada ao temor manifestado pelo banqueiro em relação à própria segurança e à de seus familiares.

“O suplicante narrou uma série de intimidações que sofrera desde o nascedouro dessa operação até os dias de hoje, mesmo estando preso preventivamente. Ressalta-se que, ao ser indagado pelo infra-assinado, no que consistiriam esses episódios, esse se manteve silente e disse que somente o descreveria à presença de Vossa Excelência ou juiz instrutor ou auxiliar a ser designado, pois externou estar extremamente temeroso em revelar certos fatos, por sua segurança e dos seus familiares”, afirmou Bialski na petição apresentada ao STF.

O depoimento acabou sendo conduzido por um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, em vez de ocorrer diretamente com a presença do ministro. Ainda assim, de acordo com as informações apresentadas pela defesa e pelo gabinete, foram adotadas uma série de precauções para a realização da oitiva e para o tratamento das informações apresentadas por Vorcaro.

Uma das medidas adotadas foi evitar que Vorcaro comparecesse presencialmente ao STF. Para não chamar atenção, o banqueiro foi ouvido por videoconferência, procedimento que permitiu a realização do depoimento sem que ele precisasse se deslocar até a sede da Corte.

Além disso, o registro do encontro foi enviado diretamente ao ministro André Mendonça, em um HD, como parte das medidas adotadas para restringir o acesso ao conteúdo da oitiva. O processo também recebeu o nível máximo de sigilo, limitando a consulta aos autos às pessoas autorizadas.

Durante a realização do depoimento, o juiz João Azambuja explicou como seria feito o encaminhamento das mídias que registraram a oitiva e reforçou as regras de acesso ao processo.

“Eu quero dizer que a gente vai levar essas mídias direto para o gabinete e entregar em mãos ao ministro”, afirmou o juiz João Azambuja. “Esse processo, ele está em sigilo nível 4. Isso significa que só o seu advogado e o relator têm acesso a esse processo”, acrescentou.

As medidas adotadas tiveram como objetivo preservar o sigilo do depoimento e restringir o acesso ao conteúdo apresentado pelo banqueiro durante a oitiva realizada por videoconferência. (Com informações da coluna Radar, da revista Veja)

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Depoimento clandestino de Vorcaro irritou a Procuradoria-Geral da República e rachou a defesa
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