Domingo, 23 de agosto de 2026

Em ligação com Lula, Trump quis saber sobre eleições no Brasil e ouviu que o processo corre bem e de forma confiável

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, perguntou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante conversa telefônica realizada na sexta-feira (21), sobre o andamento das eleições brasileiras previstas para outubro. Segundo fontes da diplomacia brasileira, Lula respondeu que o processo eleitoral segue normalmente, com segurança e confiabilidade.

De acordo com esses interlocutores, a pergunta de Trump foi feita de maneira casual e não representou uma cobrança de explicações ou um questionamento formal sobre o sistema eleitoral brasileiro. Durante a conversa, o presidente norte-americano não levantou especulações sobre a condução das eleições, nem fez questionamentos específicos sobre as urnas eletrônicas utilizadas no País.

A menção ao processo eleitoral ocorreu em meio a uma conversa que teve como principal tema a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos e as tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros.

Tarifaço

Lula e Trump conversaram por cerca de 1h20 na manhã de sexta, após um pedido do presidente brasileiro para falar diretamente com o chefe da Casa Branca. O contato ocorreu em meio às negociações sobre as barreiras comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

O diálogo foi descrito pelo Palácio do Planalto como de tom “amistoso e cordial”. Durante a conversa, Lula afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a recente imposição de tarifas sobre produtos brasileiros são “infundadas”.

As novas barreiras comerciais foram determinadas com base em investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo norte-americano utilizou diferentes argumentos para fundamentar as medidas, incluindo questões relacionadas ao desmatamento, ao combate à corrupção, ao funcionamento do sistema de pagamentos PIX, ao mercado de etanol e a supostas importações de produtos associados ao trabalho forçado.

Segundo o Palácio do Planalto, Lula rebateu esses pontos durante a conversa com Trump. O presidente brasileiro apresentou a posição do governo e defendeu que as justificativas utilizadas para a adoção das tarifas não correspondem à realidade brasileira.

Apesar das divergências comerciais e políticas, interlocutores do governo brasileiro avaliam que a relação pessoal e o canal de comunicação entre Lula e Trump estão em situação melhor do que a relação mantida entre outros níveis das duas administrações. A avaliação é de que o contato direto entre os presidentes pode contribuir para a continuidade das negociações sobre as questões que ainda geram divergências entre os países.

Do lado brasileiro, porém, existe preocupação específica com a atuação do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A possibilidade de manifestações ou iniciativas relacionadas ao processo eleitoral brasileiro é acompanhada com atenção por integrantes do governo Lula.

Nesse contexto, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, é citado por interlocutores do governo brasileiro como uma das principais preocupações. A avaliação no Planalto é de que Rubio poderia adotar uma postura favorável à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) durante o processo eleitoral brasileiro. (Com informações do portal de notícias g1)

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