Sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Em meio ao temor de falta do fertilizante, cresce interesse pelo potássio nacional

A crise dos fertilizantes deflagrada pela guerra entre Rússia e Ucrânia gerou uma corrida pela extração de potássio no Brasil – processo que tem preocupado municípios em diversas regiões, por causa do impacto ambiental das atividades. Os pedidos para pesquisa e exploração do mineral bateram recorde no primeiro semestre de 2022, superando o que se viu nesse setor na última década.

De janeiro a junho, o órgão responsável pela concessão de pesquisas e lavras minerais recebeu 50 pedidos relacionados à extração de potássio, a maior parte deles concentrada no Amazonas, ao longo da calha do Rio Madeira. Há pedidos também em outros Estados, como Goiás, Bahia, Sergipe, Piauí e Minas Gerais.

O número supera com folga os registrados na última década. No ano passado, quando o governo já se preocupava com a oferta de fertilizantes, apenas nove solicitações chegaram à Agência Nacional de Mineração (ANM). Desde 2013, a média de requisições enviadas à agência foi de 14 registros por ano. O que se vê apenas no primeiro semestre, portanto, equivale ao triplo do volume médio anual dos últimos dez anos.

Nacionalização

A disparada do número de pedidos ocorre no momento em que o Ministério da Agricultura busca alternativas para garantir o abastecimento de fertilizantes.

O Brasil adquire no exterior 85% do volume de produtos aplicado anualmente nas lavouras. A Rússia é uma das principais exportadoras, responsável por 23,3% do fertilizante que chegou ao Brasil em 2021.

Em março, um decreto instituiu o Plano Nacional de Fertilizantes, que inclui ações para reduzir a participação da importação de fertilizantes para cerca de 50%, até 2050. Essa redução inclui, além da exploração nacional de potássio, o uso de adubos orgânicos enriquecidos com minerais, entre outros.

Não será do dia para a noite que a exploração nacional de potássio ajudará a reduzir a dependência externa. Além de exigir investimentos bilionários, o início da produção é complexo e leva anos para se consolidar.

O presidente da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM), Luís Azevedo, que já atuou com projetos de potássio, afirma que a as jazidas encontradas na Amazônia, onde estão as rochas com maior concentração do minério, estão localizadas em profundidades de 800 metros. “Um furo de sondagem levaria de dois a três meses para ser feito, e tudo isso só para ver se a área tem sinais de viabilidade. São projetos com custo inicial acima de US$ 1 bilhão”, afirma.

Já em áreas em Goiás e Minas Gerais, ele diz, o potássio é encontrado em rochas na superfície, mas com teor do minério inferior. “É uma opção mais barata e rápida. Talvez seja o caminho mais recomendável neste momento”, diz Azevedo.

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