Sexta-feira, 24 de abril de 2026

Em nova reviravolta, Justiça mantém prisão de MC Ryan, Poze e criador da Choquei

A 5ª Vara Federal de Santos (SP) determinou, nesta quinta-feira (23), a prisão preventiva do cantor MC Ryan SP, do funkeiro MC Poze do Rodo, de Raphael Sousa Oliveira — criador da página Choquei — e de outros investigados suspeitos de integrar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. A decisão atende a um novo pedido da Polícia Federal (PF), apresentado após a concessão de habeas corpus pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo a PF, o avanço das investigações e a análise de provas apreendidas indicaram a existência de elementos suficientes para a conversão das prisões temporárias em preventivas. O entendimento é de que a medida se faz necessária para garantir a ordem pública e evitar a continuidade das atividades ilícitas.

Os investigados haviam sido presos temporariamente no último dia 15, no âmbito de uma operação da PF. De acordo com a apuração, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de apostas ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, interposição de “laranjas”, além da utilização de criptomoedas e remessas de valores ao exterior.

No habeas corpus concedido anteriormente, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou irregular o decreto de prisão temporária por 30 dias. Ele destacou que a própria Polícia Federal havia solicitado um prazo de apenas cinco dias, já encerrado à época da decisão.

Apesar disso, a corporação sustentou, no novo pedido, que a prisão preventiva é necessária diante da gravidade dos fatos investigados e do volume expressivo de recursos envolvidos. A PF também apontou risco de reiteração criminosa e possibilidade de interferência nas investigações, seja por destruição de provas, seja por alinhamento de versões entre os investigados.

Com a nova decisão judicial, 36 investigados tiveram as prisões convertidas em preventivas, enquanto outros três passaram a cumprir prisão domiciliar. Entre os principais nomes, estão Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, apontado como líder do grupo e beneficiário final do esquema; Tiago de Oliveira, descrito como braço-direito e responsável pela gestão financeira; e Raphael Sousa Oliveira, indicado como operador de mídia e responsável pela página Choquei.

Após a decisão, a esposa de MC Ryan SP, Giovana Roque, foi vista deixando o Centro de Detenção Provisória de Belém, na zona leste da capital paulista, visivelmente abalada. O artista permanece detido na unidade.

As defesas dos investigados reagiram à nova determinação judicial. Em rede social, a equipe jurídica de MC Ryan SP classificou o pedido da PF como “manifestamente extemporâneo” e questionou a ausência de solicitação anterior de prisão preventiva. “Se os requisitos já estavam presentes, por que não foram apresentados no momento oportuno?”, diz a nota.

O advogado Felipe Cassimiro afirmou que a decisão do STJ reconheceu a ilegalidade das prisões temporárias e que a consequência jurídica deveria ser a revogação das medidas cautelares. Já a defesa de MC Poze do Rodo, representada por Fernando Henrique Cardoso Neves, argumentou que o novo pedido não apresenta fatos inéditos e criticou a condução da investigação.

No caso de Raphael Sousa Oliveira, os advogados informaram que irão recorrer ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ao STJ e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa sustenta que a decisão judicial carece de fundamentação individualizada e não apresenta elementos concretos que justifiquem a prisão preventiva.

O criminalista Pedro Paulo de Medeiros afirmou que a nova decisão repete falhas já apontadas anteriormente, especialmente pela ausência de motivação específica em relação ao seu cliente. Segundo ele, o magistrado não teria sequer mencionado o nome de Raphael na decisão.

“A medida mantém a ausência de fundamentos concretos e viola a exigência constitucional de motivação das decisões que restringem a liberdade, sobretudo pela falta de individualização”, afirmou o advogado.

As defesas afirmam que irão contestar a decisão nas instâncias superiores, enquanto a Polícia Federal segue com as investigações sobre o esquema, considerado um dos maiores já apurados envolvendo crimes financeiros e organização criminosa no país.

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