Sexta-feira, 24 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de abril de 2026
Um militar do Exército dos Estados Unidos que teria participado da operação que resultou na captura de Nicolás Maduro, em janeiro deste ano, foi acusado de utilizar informações confidenciais para obter vantagens financeiras em um mercado de previsões. As informações foram divulgadas por autoridades federais americanas na noite desta quinta-feira (23).
Segundo promotores e o FBI, o sargento-mor Gannon Ken Van Dyke, lotado em Fort Bragg, na Carolina do Norte, teria lucrado mais de US$ 400 mil ao prever desdobramentos relacionados à operação militar, após ter acesso a dados sigilosos sobre a missão.
A acusação aponta que o militar tentou ocultar a origem dos ganhos, utilizando mecanismos para disfarçar sua ligação com contas envolvidas nas transações. O caso foi formalizado em denúncia apresentada no tribunal federal de Manhattan, em Nova York.
De acordo com o procurador federal do distrito sul de Nova York, Jay Clayton, o acusado teria explorado informações confidenciais para “apostar sobre o momento e o desfecho da operação, com o objetivo de obter lucro pessoal”. Em nota, Clayton ressaltou que plataformas desse tipo não podem ser utilizadas como meio para exploração indevida de dados sensíveis.
A operação militar citada, realizada no início de janeiro, foi resultado de meses de planejamento e envolveu ampla mobilização de recursos das Forças Armadas e da inteligência dos Estados Unidos.
O caso ocorre em meio ao aumento do escrutínio sobre plataformas de previsão, que têm levantado preocupações entre autoridades americanas quanto ao possível uso de informações privilegiadas por agentes com acesso a dados estratégicos.
Em março de 2026, parlamentares dos Estados Unidos apresentaram propostas para restringir a participação de funcionários públicos nesses ambientes, diante do risco de uso indevido de informações sigilosas. Estados também avaliam adotar regras mais rígidas para esse tipo de atividade.
A Casa Branca chegou a emitir, no mês passado, um alerta interno a servidores federais, reforçando a proibição do uso de informações privilegiadas para obtenção de ganhos pessoais, após a identificação de movimentações consideradas suspeitas em diferentes mercados.
Questionado sobre o tema, o presidente Donald Trump afirmou que o cenário atual levanta preocupações. “Infelizmente, o mundo inteiro se tornou uma espécie de cassino”, declarou. “Nunca fui muito favorável a isso. Não gosto da ideia”, acrescentou.
Horas antes da captura de Maduro, em 3 de janeiro, uma operação militar de grande escala foi executada pelos Estados Unidos, com uso de aeronaves, inteligência e forças especiais. Na ocasião, foi registrado um movimento atípico de previsões financeiras relacionadas ao desfecho da ação, embora ainda não esteja claro se essas transações têm ligação direta com o militar acusado.