Domingo, 17 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de maio de 2026
Banido em vários países, o site 1xBet conseguiu autorização do governo para funcionar enquanto atuava ilegalmente no Brasil, indicam processos judiciais. A outorga foi liberada pelo Ministério da Fazenda em julho de 2025 e a bet, de origem russa, ainda responde na Justiça por bloquear prêmios de apostadores durante o período de ilegalidade no Brasil.
As bets que conseguiram o aval do governo estavam liberadas pela legislação para explorar o mercado de apostas regular a partir de 1.º de janeiro de 2025. Sem obter autorização nas primeiras levas de outorgas por inadequações, a 1xBet manteve operações mesmo assim.
Procurado, o Ministério da Fazenda afirmou que a operadora da marca no Brasil foi autorizada depois de apresentar documentos que “permitiram avaliar sua estrutura societária até o nível de beneficiário final”, mas destacou que autorizações podem ser revistas.
A 1xBet disse que a operação da marca no Brasil é independente e segue os mais rígidos padrões globais de compliance, jogo responsável e governança corporativa. Também alegou que atua em conformidade com a legislação brasileira e de acordo com a autorização obtida na Fazenda.
A atuação indevida está demonstrada em processos movidos por apostadores que relataram ter sido impedidos de sacar ganhos. Nas ações, a responsável pela 1xBet alegou não ter relação com o site que travou os pagamentos, mas o argumento não foi acolhido pela Justiça em ações que tramitam em Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A marca 1xBet é explorada no Brasil pela Defy Ltda, empresa de Caxias do Sul (RS) em nome de Carlos Eduardo Ferreira e da Lutum Limited, registrada no Chipre, sede da bet. Antes, a Defy chamava-se 1xBet Intermediação de Negócios Ltda e mudou o nome ao longo da tramitação de processos movidos por apostadores.
A Defy apresentou defesas quase idênticas em todos os processos analisados pela reportagem. Dizia que a semelhança de seu nome com a da bet questionada não passava de coincidência, que não tinha ingerência sobre o site acessado pelos apostadores lesados, o br.1xbet.com, e que a Justiça deveria se basear em uma informação que o próprio site apresentava sobre o controlador da página, uma empresa estrangeira registrada em Curaçao, no Caribe.
Contudo, análise de domínios anexada pela Defy mostrava que o link pertencia ao site 1xbet.com – que a empresa de Ferreira também afirmava desconhecer. Hoje, este link redireciona o apostador para o site oficial da casa de apostas da Defy Ltda, autorizado pela Fazenda. (Com informações de O Estado de S. Paulo)