Domingo, 12 de julho de 2026

Empresas captam na Bolsa brasileira menor volume para investimentos em uma década

As empresas brasileiras caminham para levantar o menor volume de recursos no mercado de ações em pelo menos dez anos, refletindo o efeito dos juros elevados sobre emissões destinadas a financiar investimentos e reforçar o caixa. Apesar do desempenho fraco, bancos de investimento já enxergam uma retomada, embora gradual e seletiva, das ofertas primárias nos próximos meses, movimento que poderá ganhar força após as eleições caso haja melhora no fluxo de capital estrangeiro para o Brasil, o que poderia reverter a tendência do ano.

Apesar da B3 ter registrado 13 operações de renda variável até junho, sendo sete ofertas subsequentes, uma abertura de capital e o restante de blocos (“block trades”), a recuperação foi apenas parcial. Isso porque a maior parte do dinheiro movimentado serviu para permitir a venda de participações poracionistas (ofertas secundárias), e não para levar recursos novos às empresas (ofertas primárias).

Levantamento do Bank of America (BofA)  mostra que o mercado movimentou R$ 18,6 bilhões em transações com ações na primeira metade do ano. Desse total, R$ 15,2 bilhões vieram de operações integralmente secundárias, R$ 2,6 bilhões, de ofertas mistas e apenas R$ 900 milhões de emissões totalmente primárias. Ao todo, foram nove ofertas exclusivamente secundárias, uma mista e três 100% primárias.

No primeiro semestre do ano passado, em um período já morno para ofertas de ações, foram um total de R$ 3,5 bilhões em ofertas de ações, mas concentrado em transações primárias (R$ 2,4 bilhões).

Na avaliação de Bruno Saraiva, corresponsável pelo banco de investimento do BofA no Brasil, a deterioração do cenário internacional interrompeu uma retomada que parecia ganhar força no início do ano. Segundo ele, havia expectativa de maior participação do investidor estrangeiro e diversas empresas, incluindo candidatas a IPO (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês), avançavam na preparação para acessar o mercado. “Começamos o ano otimistas, com entrada de fluxo estrangeiro e fechamento das curvas de juros. De maio para cá, o capital voltou a ser direcionado para os Estados Unidos, movimento que atingiu os mercados emergentes como um todo e dificultou o avanço das operações que estavam sendo preparadas”, afirma.

Para Saraiva, o ambiente continuará seletivo, especialmente em relação a novas aberturas de capital. Segundo ele, uma retomada mais consistente dependerá da reversão do fluxo internacional para mercados emergentes e de um impulso adicional de uma evolução do cenário doméstico, com maior previsibilidade fiscal e compromisso do próximo governo com reformas. Enquanto isso, as oportunidades devem continuar concentradas em ofertas subsequentes de empresas já listadas, sobretudo dos setores de infraestrutura e “utilities” (empresas que prestam serviços públicos, tal como as de energia), aproveitando janelas de oportunidade no mercado. Já companhias de tecnologia e fintechs tendem a continuar olhando para os Estados Unidos como destino preferencial para seus IPOs, diz Saraiva. Com informações do Valor Econômico.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Governo Lula faz gestos ao agronegócio com medidas para aliviar dívidas rurais
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play