Quarta-feira, 24 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de junho de 2026
A Polícia Civil prendeu na manhã desta quarta-feira (24), em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, um engenheiro civil que extorquia grandes empresários e seus familiares no Rio Grande do Sul. Ele foi detido durante a Operação Pizzo, que cumpriu mandados de busca e apreensão no município e em Viamão.
A ação é resultado de uma investigação que revelou um esquema estruturado de extorsão digital que exigia o pagamento de bitcoins equivalentes a até R$ 4 milhões de grandes empresários do Estado.
“A Operação Pizzo, em referência à transferência de dinheiro forçada para a máfia italiana, busca estancar a prática de extorsões digitais sistemáticas contra vítimas atuantes em vários segmentos econômicos no Rio Grande do Sul”, informou a Polícia Civil.
As investigações iniciaram após uma vítima comunicar que estava sendo submetida ao crime de extorsão, por meio da criação de um grupo de WhatsApp. O empresário, na ocasião, foi adicionado compulsoriamente a um grupo de mensagens, junto com seus familiares e, na sequência, um suspeito enviou uma mensagem informando que possuía dados sigilosos das vítimas, obtidos por meio de supostas conexões com órgãos públicos, além de infiltrados em suas empresas. Como condição para manter tais informações em sigilo, o estelionatário exigiu o pagamento de uma denominada “taxa de anonimato e proteção”, em bitcoins.
A exigência era clara: o pagamento ocorreria em uma plataforma de criptoativos, sob ameaça de os dados serem vendidos a terceiros ou tornados públicos na internet.
Segundo a polícia, “a investigação identificou um núcleo criminoso estruturado com a coleta de informações privilegiadas obtidas no exercício de suas funções profissionais, confecção do dossiê inverídico e utilização de ferramentas digitais e execução das ameaças”.
“No mais, constatou-se que outros grandes empresários do Estado do Rio Grande do Sul, de diferentes ramos, como construção civil, rede de supermercados e administração de imóveis, foram vítimas, sempre com o mesmo modus operandi”, prosseguiu a corporação.
Estima-se que, em todas as extorsões, o engenheiro exigiu o valor total de aproximadamente R$ 10 milhões.
O criminoso teria buscado informações de vítimas com alto poder aquisitivo no RS, principalmente no ramo da construção civil, e de seus familiares, realizando um dossiê sobre eles. Na sequência, montou uma estrutura com textos, celulares frios, multiplicidade de chips e carteiras de criptoativos, a fim de receber valores oriundos das extorsões, as quais eram feitas com graves ameaças aos familiares das vítimas.
“Entre as vítimas, está um aposentado, bastante conhecido em Porto Alegre, que, inclusive, tratava o suspeito como filho, em virtude da sua longa amizade com seu pai. O suspeito ainda utilizou-se dos dados deste senhor para habilitar números de telefone e e-mails para aplicar os golpes em outros empresários, a fim de colocá-lo como principal suspeito do crime. Também estão entre as vítimas uma arquiteta, amiga da esposa do alvo da operação. Ele obteve informações privilegiadas dela, devido à relação de proximidade, e, na semana passada, encaminhou as mensagens extorsivas, exigindo o pagamento por meio de criptoativos”, informou a polícia.
“A extorsão digital é um crime grave, que explora o medo e a vulnerabilidade das vítimas a partir do uso indevido de informações sigilosas. A Polícia Civil não tolerará esse tipo de conduta, que abala a segurança de famílias e empresas gaúchas”, afirmou o diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos, delegado Eibert Moreira Neto. As investigações seguem sob sigilo.